A agência Reuters divulgou esta semana que, desde o ano passado, empresas que comercializam petróleo enviaram mais de US$ 1 bilhão de combustível da Venezuela para China como se fosse brasileiro. A reportagem trata de dados obtidos através duas empresas de rastreamento de petroleiros, além de informações de operadores da área e documentos corporativos.
Conforme divulgado pela agência de notícias, a prática iniciou em meados de julho de 2023, em que navios-tanque navegaram diretamente da Venezuela para a China, sem escala na Malásia, o que encurta a viagem em quatro dias.
Essa medida, além de cortar gastos, também auxilia a driblar sanções impostas desde 2019 pelos Estados Unidos e outros países sobre o petróleo venezuelano, por conta do posicionamento contrário ao regime ditatorial de Nicolás Maduro.
Segundo a reportagem, depois dessas sanções, operadores têm transferido o produto de um navio para outro no mar, com o intuito de disfarças a origem venezuelana. Ultimamente, embarcadores também adulteraram o sinal de localização de petroleiros para fingir que os navios saíram de portos brasileiros, sendo que na realidade saíram da Venezuela.
Para provar essa prática, a Reuters apontou que a China importou cerca de 67 mil barris por dia de betume misto do Brasil entre julho de 2024 e março de 2025, o que totaliza US$ 1,2 bilhão. Entretanto, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, contradisse essa informação ao afirmar na semana passada, em entrevista à jornalistas em Houston, nos Estados Unidos, que a estatal brasileira exporta “principalmente petróleo bruto do pré-sal [para a China], não é betume”.
Carolina Matta
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