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Internacional

Governo Milei libera navegação comercial a navios estrangeiros

Federico Sturzenegger celebrou a nova política, afirmando que representa um passo à modernização.

O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, anunciou nesta quarta-feira (21) a desregulamentação da marinha mercante do país. A medida, assinada pelo ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, abre as águas argentinas ao transporte marítimo e fluvial de cargas por embarcações e tripulações estrangeiras, em uma das reformas mais radicais do setor nas últimas décadas.

O decreto estabelece que a navegação comercial – tanto marítima quanto fluvial – seja considerada um “serviço essencial”, abrangendo o transporte de cargas, passageiros, serviços relacionados e operações offshore. Com isso, embarcações de bandeira estrangeira poderão operar livremente nas águas argentinas, inclusive com tripulações de qualquer nacionalidade, desde que não haja disponibilidade de profissionais argentinos.

Foto: Reprodução/InstagramJavier Milei
Javier Milei

Em uma publicação extensa nas redes sociais, Sturzenegger celebrou a nova política, afirmando que ela representa um passo decisivo rumo à modernização do setor. “O excesso de regulamentação encobriu tudo, inclusive os princípios básicos da Constituição. Este decreto recupera os valores da liberdade de navegação e comércio”, declarou.

A decisão, no entanto, foi recebida com forte resistência por parte do Sindicato dos Trabalhadores Marítimos Unidos (Somu). Em comunicado divulgado ainda em março, quando o decreto começou a ser cogitado, a entidade sindical alertou para os riscos da medida. “O fato de abrir as portas para empresas de navegação estrangeiras, incluindo as chinesas, que pagam salários de no máximo US$ 400, significa o fim da marinha mercante nacional em pouco tempo”, afirmaram fontes do setor à agência EFE.

Críticos da medida argumentam que a abertura do mercado pode levar à precarização das condições de trabalho e à perda de empregos para trabalhadores argentinos, além de enfraquecer a soberania nacional sobre rotas estratégicas. Já o governo afirma que a medida atrairá investimentos, aumentará a competitividade e reduzirá os custos logísticos para o comércio exterior argentino.

O decreto entra em vigor imediatamente e integra um conjunto mais amplo de reformas estruturais propostas pela gestão Milei, com foco na liberalização econômica e na redução da intervenção estatal.

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