Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, o comércio entre Brasil e Rússia mais do que dobrou, passando de US$ 6,2 bilhões em 2021 para US$ 12,2 bilhões em 2024. A ampliação se deu tanto no Governo Bolsonaro quanto na Gestão Lula, consolidando a Rússia como um dos principais fornecedores do mercado brasileiro. Diesel e fertilizantes lideram a pauta de importações, somando mais de US$ 11 bilhões, segundo dados do comércio internacional.
Enquanto o Brasil estreita laços comerciais com Moscou, países do G7, como EUA, Reino Unido e Alemanha ampliaram sanções contra a Rússia, na tentativa de fragilizar economicamente o Kremlin e forçá-lo a encerrar os ataques à Ucrânia. Em sentido oposto, a Rússia fortaleceu sua aliança com os países do Brics, bloco que inclui Brasil, China, Índia e África do Sul, para driblar as restrições impostas pelos ocidentais.
Esse movimento ficou claro em 2024, quando a Rússia exportou para os parceiros do Brics vinte vezes mais do que para os países do G7, reforçando o papel estratégico do bloco na sustentação da economia russa durante o conflito. O Brasil, por sua vez, passou a ser o principal destino do diesel russo na América Latina, além de um cliente importante para os fertilizantes, insumo vital para a agricultura brasileira.
No campo diplomático, a postura de Lula tem gerado críticas internacionais: apesar de pregar por uma solução pacífica, o presidente mantém relações próximas com Vladimir Putin e evita se alinhar às pressões do Ocidente. Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, e líderes da Otan cobraram do Brasil uma postura mais firme contra Moscou, inclusive ameaçando tarifas sobre países que continuam a negociar com os russos.
Caroline Vitorino
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