As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram neste domingo (10) que o jornalista palestino Anas Al Sharif, colaborador da emissora Al Jazeera, do Catar, morto em um ataque aéreo em Gaza, chefiava uma célula do Hamas responsável por lançar foguetes contra civis e tropas israelenses.
Segundo os militares, o bombardeio, realizado contra uma tenda próxima ao Hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza, matou também outros quatro jornalistas e dois civis, de acordo com informações da Al Jazeera.
Em comunicado, Israel disse que Al Sharif, de 28 anos, “operava sob o disfarce de jornalista” e integrava a força de elite Nukhba, no Batalhão de Jabalia Oriental do Hamas. O Exército afirmou ter apresentado documentos apreendidos em Gaza que comprovariam “de forma inequívoca” sua ligação com o grupo e seu papel na coordenação de ataques.
A Al Jazeera rejeitou as acusações e classificou o ataque como “uma tentativa desesperada de silenciar vozes em antecipação à ocupação de Gaza”. A emissora descreveu Al Sharif como “um dos jornalistas mais corajosos de Gaza” e ressaltou que ele e os colegas mortos “estavam entre as últimas vozes a transmitir ao mundo a trágica realidade” do enclave.
Israel e a Al Jazeera mantêm histórico de atritos. Em 2024, o governo israelense proibiu a operação do canal no país e fechou seus escritórios. O Catar, que financia a emissora, abriga lideranças políticas do Hamas e atua como mediador nas negociações indiretas entre o grupo e Israel.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, manifestou “grave preocupação” com o que classificou como “repetidos ataques a jornalistas em Gaza” e lembrou que profissionais de imprensa em zonas de conflito têm proteção assegurada pelo direito humanitário internacional. Questionado sobre a suposta ligação de Al Sharif com o Hamas, o porta-voz de Starmer defendeu que o caso seja “investigado de forma minuciosa e independente”.
Carolina Matta
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