Nesta terça-feira (19), o conselheiro de comércio e indústria da Casa Branca, Peter Navarro, usou a rede social X para criticar um escritório de advocacia especializado em lobby político, que teria elaborado um documento com estratégias para reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Na mesma publicação, o conselheiro pediu liberdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento, segundo Navarro, foi destinado à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e propunha formas de pressionar o governo americano, mais especificamente membros da gestão de Donald Trump, a flexibilizar o “tarifaço”.
Em tom irônico, Navarro disse: “Baixe o folheto de um [escritório de advocacia] lobista de Washington se gabando para os brasileiros de que conseguiria pressionar a Casa Branca e reduzir tarifas. Memorando para o Brownstein Hyatt: vocês JAMAIS vão aparecer na minha porta na Casa Branca. Não quero tropeçar na sua gosma. Vocês estão acompanhando o Político [site americano conhecido pela cobertura crítica a Trump]? Libertem Jair Bolsonaro!”, escreveu. Navarro é apontado como arquiteto da política tarifária protecionista do ex-presidente, que se intensificou no segundo mandato.
O folheto citado por Navarro, intitulado “Proposta para o serviço de relações governamentais federais”, teria sido elaborado pelo escritório Brownstein Hyatt Farber Schreck, um dos maiores grupos de lobby político nos EUA. O documento não confirma se a CNI chegou a firmar contrato com o escritório, mas cita, entre suas estratégias, a intenção de contatar figuras-chave da gestão Trump, incluindo o próprio Peter Navarro.
A crítica do conselheiro acontece em meio a uma tensão diplomática entre Brasil e EUA, visto que, no dia 6 de agosto, o governo norte-americano implementou uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. Um dos motivos para o aumento tarifário seria o processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro.
O ex-presidente é acusado de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e, desde o início de agosto, cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, após violar medidas cautelares. Para membros do governo Trump, o julgamento de Bolsonaro representa uma “caça às bruxas” política.
Francielle Barroso
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