O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, ameaçou nesta segunda-feira (15) “ir atrás” de países da União Europeia que concordarem com o uso de ativos russos congelados para financiar a defesa da Ucrânia. Em mensagem publicada em um aplicativo, ele disse que Moscou perseguirá os Estados-membros da UE, autoridades de Bruxelas e países individualmente até “o fim do século”, caso haja tentativa de confisco dos bens.
Medvedev afirmou que a Rússia irá processar judicialmente os países envolvidos “de todas as formas possíveis” em cortes internacionais e nacionais. O ex-presidente acrescentou ainda que Moscou também adotará medidas “fora dos tribunais”, sem detalhar que tipo de ações poderiam ser aplicadas contra os governos europeus que aderirem ao plano.
A ameaça ocorre em meio às discussões na União Europeia sobre a utilização de ativos russos congelados. De acordo com o jornal Politico, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avalia a possibilidade de destinar esses recursos para o financiamento militar da Ucrânia, medida classificada pelo Kremlin como “roubo”.
No início de setembro, Medvedev já havia feito declarações semelhantes, afirmando que a Rússia buscaria expandir territórios na Ucrânia e confiscar propriedades britânicas em resposta à decisão de Londres de destinar cerca de US$ 1,3 bilhão em armas para os ucranianos a partir de ativos russos congelados.
A escalada de tensões entre Moscou e países da Otan também se intensificou nas últimas semanas. Na Polônia, drones russos violaram o espaço aéreo do país, e, na Romênia, outro Estado-membro da aliança, denúncias semelhantes foram registradas no fim de semana. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou carta aos aliados exigindo que parem de comprar petróleo russo, alertando que não aplicará novas sanções enquanto persistirem negociações de energia com Moscou.
Davi Fernandes
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