O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta segunda-feira (22) que está disposto a manter com Donald Trump, por mais um ano, os limites estabelecidos pelo tratado START III, que expira em fevereiro de 2026. O acordo é hoje o único instrumento de controle nuclear ainda em vigor entre Moscou e Washington.
Durante reunião transmitida pela TV estatal, Putin afirmou que a extensão só faria sentido caso os Estados Unidos adotassem a mesma postura e evitassem medidas que pudessem alterar o equilíbrio da dissuasão nuclear. Ele classificou como um erro grave uma eventual retirada definitiva de Washington, lembrando que o tratado, assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitri Medvedev, também reforça os compromissos do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Putin voltou a responsabilizar o Ocidente pela deterioração da estabilidade estratégica, mas disse acreditar que preservar as regras atuais ajudaria a conter uma nova corrida armamentista. Segundo ele, a proposta russa poderia abrir espaço para a retomada do diálogo com os Estados Unidos, interrompido há anos.
Ao mesmo tempo, determinou que os órgãos competentes avaliem com rigor as movimentações norte-americanas relacionadas a arsenais estratégicos, sistemas antimísseis e eventuais projetos de armamento no espaço.
Putin também advertiu que ações que ameacem o equilíbrio do tratado por parte dos Estados Unidos “podem comprometer os esforços da Rússia para manter o status quo no âmbito do START” e garantiu que Moscou reagirá de forma apropriada.
“O mundo não deve ter dúvidas: a Rússia está preparada para enfrentar qualquer ameaça, não apenas com palavras, mas por meio de medidas técnico-militares”, acrescentou o líder russo, reforçando seu compromisso com a manutenção da capacidade de dissuasão estratégica do país.
Rodrigo Mendes
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