As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram neste sábado a realização de ataques na Faixa de Gaza, mesmo com o cessar-fogo em vigor. Segundo o Exército israelense, a ofensiva ocorreu em resposta a uma suposta violação da trégua. As IDF afirmaram ter identificado combatentes armados saindo de uma estrutura subterrânea na região leste de Rafah e disseram que os alvos incluíram líderes e integrantes de grupos considerados terroristas, como o Hamas e a Jihad Islâmica, além de instalações usadas para produção e lançamento de armamentos.
Em nota oficial, os militares israelenses informaram que quatro comandantes foram neutralizados, além de outros militantes, e que um depósito de armas e dois pontos de lançamento, localizados no centro de Gaza, foram atingidos. De acordo com a versão israelense, as ações tiveram caráter preventivo e buscaram impedir novas violações do cessar-fogo, com ataques direcionados a alvos específicos ligados a atividades militares.
Autoridades palestinas, no entanto, apresentaram um cenário diferente. Fontes médicas e da Defesa Civil de Gaza, citadas pela Agência EFE, relataram que ao menos 32 pessoas morreram nos ataques realizados neste sábado, apesar da trégua. Entre as vítimas estariam mulheres, crianças e outros civis, atingidos em áreas residenciais e em estruturas civis.
Segundo a Defesa Civil, equipes de resgate encontraram corpos nos escombros de uma delegacia de polícia no bairro Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, onde o número de mortos chegou a 17. A maioria das vítimas seria composta por mulheres e crianças. Informações do Hospital Shifa e do Ministério do Interior administrado pelo Hamas indicam que entre os mortos estavam quatro policiais mulheres e quatro detidos.
No sul do território, em Khan Younis, um ataque com drone atingiu uma tenda, matando um homem, três filhos e três netos, conforme relatos de hospitais locais e da Defesa Civil. Já no norte de Gaza, bombardeios atingiram apartamentos onde civis buscavam abrigo, resultando na morte de uma mulher e de três crianças.
Hospitais da região também registraram outras mortes em ataques aéreos contra áreas residenciais, elevando o total de vítimas fatais do dia para pelo menos 32, além de dezenas de feridos, alguns em estado grave. Autoridades de saúde de Gaza afirmam que, desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, mais de 520 pessoas morreram, incluindo mais de 100 crianças.
Os novos confrontos ocorrem às vésperas da reabertura prevista da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, considerada essencial para a entrada de ajuda humanitária e ponto-chave da segunda etapa do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Paralelamente, negociações realizadas em Miami discutem a criação de uma “autoridade unificada” para Gaza e propostas de desarmamento do Hamas, temas que ainda enfrentam resistência.
Enquanto Israel sustenta que agiu em legítima defesa e que os alvos eram exclusivamente militares, autoridades palestinas denunciam o alto número de vítimas civis. A tensão regional também aumentou após Israel ter anunciado, na semana anterior, ataques contra posições e veículos do Hezbollah no sul do Líbano, acusando o grupo de tentar reconstruir capacidades militares, em violação a acordos existentes.
Rodrigo Mendes
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