O ex-ministro socialista António José Seguro venceu o segundo turno das eleições presidenciais de Portugal neste domingo (8), ao derrotar o líder da direita nacionalista, André Ventura, candidato do partido Chega. Com 96,38% das urnas apuradas, Seguro obteve 66,31% dos votos, contra 33,69% do adversário.
Aos 63 anos, Seguro retorna ao centro da vida política portuguesa após um longo período afastado dos holofotes. Natural de Penamacor, no interior do país, próximo à fronteira com a Espanha, o novo presidente é formado em Relações Internacionais e construiu sua trajetória no Partido Socialista (PS), ao qual se filiou ainda jovem.
Entre 1990 e 1994, foi secretário-geral da juventude socialista e deputado nacional, período em que integrou o núcleo político de António Guterres, atual secretário-geral da ONU. Durante os governos de Guterres, entre 1995 e 2002, ocupou os cargos de Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro e Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro. Mais tarde, também atuou como eurodeputado no Parlamento Europeu.
De volta a Portugal, Seguro foi líder parlamentar do PS e, posteriormente, secretário-geral do partido, cargo que deixou após ser derrotado nas primárias internas por António Costa, então prefeito de Lisboa e futuro primeiro-ministro do país. Desde então, manteve perfil discreto na política nacional.
Na campanha do segundo turno, Seguro evitou o uso explícito do termo “socialismo” e apresentou sua candidatura como independente e suprapartidária, embora tenha contado com o apoio formal do PS. Sua vitória foi consolidada com o respaldo de candidatos de centro-direita derrotados no primeiro turno, realizado em 18 de janeiro, além do apoio de ex-presidentes conservadores como Aníbal Cavaco Silva e António Ramalho Eanes, primeiro chefe de Estado eleito democraticamente após a Revolução dos Cravos.
Durante a disputa, André Ventura afirmou que esses apoios representavam mais um voto contra sua candidatura do que um endosso ao rival. Seguro rebateu, dizendo que sua campanha simbolizava uma candidatura de convergência, destacando-se como um político moderado e defensor da democracia.
Em seu discurso de vitória, o presidente eleito prometeu trabalhar por um país “moderno e justo”, no qual “todos são iguais em necessidades e diferentes nas liberdades”.
Ventura reconhece derrota, mas projeta futuro no poder
Após a confirmação do resultado, André Ventura reconheceu a derrota, mas afirmou que o desempenho eleitoral consolida sua liderança no campo da direita portuguesa.
“A mensagem do povo português foi clara. Lideramos a direita em Portugal e vamos governar este país em breve”, declarou a apoiadores em Lisboa.
O líder do Chega admitiu que será necessário ampliar o diálogo para conquistar novos eleitores, mas destacou que o partido obteve o melhor resultado de sua história desde a fundação, em 2019, consolidando-se como uma das principais forças políticas do país.
Jeyson Moraes
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