A população carcerária da Rússia atingiu o menor patamar desde o início dos anos 2000, movimento atribuído, em parte, ao recrutamento de detentos para atuar na guerra contra a Ucrânia. Dados divulgados pelo governo russo apontam uma redução expressiva no número de presos desde o início do conflito.
Segundo o diretor do Serviço Penitenciário Federal da Rússia, Arkady Gostev, no fim de 2021, poucos meses antes do início da invasão à Ucrânia, o país contabilizava cerca de 465 mil pessoas presas. Atualmente, esse número caiu para 282 mil.
Em declaração à agência estatal Tass, Gostev afirmou que a redução está relacionada, “em certa medida”, ao recrutamento de condenados para integrar as Forças Armadas russas. Apesar disso, ele afirmou que outros fatores também contribuíram para a queda, como a ampliação do uso de trabalhos forçados e de penas alternativas para pessoas condenadas.
Dados divulgados anteriormente e citados pelo jornal The Moscow Times já indicavam uma tendência semelhante. Em março deste ano, autoridades russas informaram que o país tinha aproximadamente 308 mil detentos, número considerado um recorde de baixa. Em comparação, a Rússia mantinha cerca de 1 milhão de presos em 2001.
Durante a guerra no Leste Europeu, o recrutamento de detentos começou a ser realizado pelo grupo paramilitar Grupo Wagner. Posteriormente, após o enfraquecimento da organização em meio às divergências com o Kremlin e ao motim liderado em 2023 por Yevgeny Prigozhin, morto no mesmo ano em um acidente aéreo, a tarefa passou a ser conduzida pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Os presos recrutados recebem promessas de compensação financeira e redução ou perdão de penas em troca da participação nos combates na Ucrânia. O recrutamento se tornou uma das estratégias adotadas por Vladimir Putin para reforçar o contingente militar durante o conflito.
Jeyson Moraes
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