Economia e Negócios

Bolsonaro diz acabou com os 'pacotes de maldades' para o agronegócio

Presidente fez referência a medidas de preservação do meio ambiente cobradas por outros países.

Por  Estadão Conteúdo

Em mais um sinal de apoio ao agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 16, que o homem do campo tem seu governo como aliado. Durante inauguração da planta de biogás da Raízen, em Guariba (SP), ele disse que os produtores não serão mais afetados pelo que chamou de "pacote de maldades", em referência a medidas ligadas à preservação do meio ambiente incentivadas por outros países.

No discurso, Bolsonaro lembrou de um encontro no ano passado com um chefe de Estado europeu, sem citar qual, em que teria dito que o Brasil, em seu mandato, havia "mudado" e não mais aceitaria imposições que afetassem o homem do campo. "Eu disse para aquele chefe de Estado naquele momento que o Brasil tinha mudado. Acabou o tempo que o chefe de Estado ia para fora e voltava para cá com um pacote de maldades e quem pagava a conta geralmente era o homem do campo."

Segundo o presidente, sua gestão "não cria dificuldades" para o agronegócio e ele e os ministros são "um parceiro de peso" para os empreendimentos do setor. "O nosso Ministério do Meio Ambiente, do Ricardo Salles, é um ministério que realmente não atrapalha a vida de vocês. Pelo contrário, ajuda e muito. Relembrem, há algum tempo, como Ibama e ICMBio tratavam vocês e como esse tratamento hoje em dia é dispensado. Nós não criamos dificuldade", declarou.

Apesar da fala de Bolsonaro, em setembro o governo brasileiro prorrogou a cota de importação de 187,5 milhões de litros de etanol norte-americano sem imposto por mais 90 dias. A medida provocou críticas do setor produtivo do biocombustível, cujas principais lideranças estavam no evento desta manhã, e foi comemorada principalmente pelo governo de Donald Trump. O aliado de Bolsonaro está em campanha para se reeleger e enfrentava dificuldades para ter o voto de produtores de etanol nos Estados Unidos.

Como tem feito em seus discursos, Bolsonaro voltou a elogiar o corpo de ministros, ressaltando que teve liberdade para escolher sua equipe. Ele citou em especial o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem creditou como responsável pelo retomada do crescimento do País durante a pandemia da covid-19.

"A nossa economia tem reagido muito bem. Cada vez mais eu acredito na palavra e no trabalho do Paulo Guedes e sua equipe, de modo que estamos saindo, sim, em 'V' dessa crise", afirmou.

Bolsonaro também repetiu que "cada vez mais o Poder Executivo interage com o Poder Legislativo", fez um agradecimento ao parlamento e citou o líder e presidente do MDB, deputado Baleia Rossi. O parlamentar tem base eleitoral na região e é um dos nomes cotados para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara.

Usina

A usina de biogás inaugurada nesta sexta pelo presidente usa a tecnologia de conversão da torta de filtro e vinhaça, subprodutos da cana-de-açúcar, como matérias-primas para fabricação de biogás e geração de energia elétrica.

De acordo com o presidente da Raízen, Ricardo Mussa, a planta de biogás terá capacidade de produzir até 138 mil megawatt-hora (MWh) por ano a partir da próxima safra, o que é suficiente para abastecer uma cidade de 150 mil habitantes.

Após o evento em Guariba, o presidente viaja para Porto Real (RJ), onde deve visitar um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A previsão é que ele passe a noite em Resende (RJ) e, no sábado, participe de evento na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

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