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Dívida pública no Brasil sobe 1,56% em agosto e alcança R$ 4,412 trilhões

O resultado, no entanto, já era esperado e vem como uma resposta ao aumento de gastos do governo para conter os impactos da pandemia da covid-19.

Por  Estadão Conteúdo

A dívida pública federal em títulos – que inclui os débitos do governo no Brasil e no exterior – registrou aumento de 1,56% em agosto e atingiu R$ 4,412 trilhões, informou a Secretaria do Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 28.

Em julho, os débitos públicos somavam R$ 4,344 trilhões. A dívida pública é a emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal. Ou seja, para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e tributos.

No mês passado, de acordo com o governo, a dívida subiu porque as emissões de títulos públicos superaram as retiradas de papéis do mercado em R$ 31,89 bilhões. Segundo o governo, também houve apropriação positiva de juros no valor de R$ 35,93 bilhões.

Em agosto, o Tesouro emitiu R$ 114,102 bilhões em títulos e retirou R$ 82,208 bilhões do mercado. O governo espera crescimento da dívida pública neste ano, por causa do aumento de gastos para conter o impacto da pandemia da covid-19.

Apesar de certos indicadores mostrarem melhora devido a um ambiente externo mais favorável, o Tesouro Nacional afirma que há incerteza de investidores sobre as contas públicas brasileiras, o que tem limitado os números e pressionado taxas de juros no longo prazo.

“No mercado doméstico, a gente não viu um cenário tão favorável quanto no mercado externo”, afirmou Luis Felipe Vital, coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro. “A gente viu a curva de juros subir mais uma vez, principalmente nos vértices mais longos. Ou seja, a curva de juros ganhando inclinação, com investidores mostrando maior preocupação com o cenário fiscal”, disse.

O CDS (Credit Default Swap, indicador de risco do país) de 5 anos registrou redução considerada marginal (de 1,3%), ficando em 215 pontos ao fim do mês. Pares emergentes como Colômbia, Chile, Peru e México mostraram uma retração mais forte em agosto, com o CDS em patamar mais baixo.

Estrangeiros

Em meio ao cenário, os investidores estrangeiros aumentaram a participação na dívida pública federal interna de 9,04% em julho para 9,4% em agosto, após cinco meses seguidos de queda. Apesar disso, o Tesouro vê o movimento como pontual.

“Em momentos em que a taxa de juros, combinada com a taxa de câmbio, atinja níveis mais atrativos, a gente pode ver maior fluxo principalmente daquele investidor com mais flexibilidade”, afirmou Vital.

“Mas quando a gente olha a figura maior, nos parece uma entrada muito mais pontual, relacionada a taxas, do que um fluxo consistente que já vimos no passado e esperamos ver num futuro próximo. Isso claramente depende do avanço na consolidação fiscal”, disse.

Por outro lado, o prazo médio da dívida total caiu de 3,94 anos em julho para 3,9 anos em agosto. Segundo o Tesouro, atualmente há preferência dos investidores por ativos menos arriscados e mais líquidos no mercado doméstico de títulos públicos.

O custo médio acumulado da dívida total nos últimos doze meses caiu de 8,73% ao ano em julho para 8,54% ao ano em agosto.

Na visão do Tesouro, a alta nos juros observada ao longo do mês provocou aumento nas taxas. Mesmo assim, o custo médio seguiu mostrando níveis historicamente baixos, segundo o órgão.

Em relação a setembro, os dados prévios observados pelo Tesouro apontam para um mês marcado pela realização de lucros nos mercados internacionais, após altas sucessivas nos meses anteriores.

A preocupação com a possibilidade de uma segunda onda da covid-19 na Europa e as eleições nos Estados Unidos levaram a um cenário de maior aversão ao risco. “No mercado doméstico, a curva de juros futuros seguiu ganhando inclinação, refletindo o cenário externo e as discussões sobre a trajetória fiscal no Brasil”, afirma o Tesouro.

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