Teresina - PI

Ex-prefeito José Jeconias é preso pelo Gaeco na Operação Bacuri

Ele foi preso no final da tarde desta quarta-feira (11), na sede do Gaeco, e agora se junta ao prefeito de Bertolínia, Luciano Fonseca, e os demais oito alvos denunciados na operação.

Brunno Suênio
Teresina
- atualizado

O ex-prefeito de Sebastião Leal, José Jeconias, que havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Bacuri, foi preso no final da tarde desta quarta-feira (11) ao se apresentar na sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na zona leste de Teresina.

Ele se junta agora ao prefeito de Bertolínia, Luciano Fonseca, e os demais oito alvos denunciados na Operação Bacuri, que desarticulou uma organização criminosa na ultima terça-feira (03) montada para dilapidar o erário municipal.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1Entrevista com o Promotor José Willian Entrevista com o Promotor José Willian

Em entrevista ao GP1, na noite desta quarta-feira (11), o promotor José William, responsável pelas investigações, deu maiores detalhes sobre a prisão do ex-prefeito. “Inicialmente, o pedido era apenas de busca de apreensão. Por terem surgido fatos novos, após a realização da operação, foi feito o pedido de prisão preventiva. A prisão foi realizada agora à tarde, por volta das 16h, na própria sede do Gaeco, onde ele se apresentou com o advogado. A prisão é de natureza preventiva, sem prazo para liberação, enquanto durar o processo ou enquanto existirem as circunstâncias”, explicou o promotor.

Entenda o caso

A investigação do Gaeco concluiu que o ex-prefeito de Sebastião Leal, José Jeconias, é proprietário de empresas que possuíam contratos com o município de Bertolínia, comanda pelo prefeito Luciano Fonseca, dentre elas o Posto de Combustíveis San Matheus, fornecedor que mais recebeu recursos da Prefeitura de Bertolínia entre os anos de 2013 e 2016, no montante de R$ 2.038.357,83 (dois milhões, trinta e oito mil, trezentos e cinquenta e sete reais e oitenta e três centavos).

Segundo levantamento feito junto à Receita Federal, José Jeconias Soares Araújo foi doador da campanha do Prefeito Luciano Fonseca de Sousa em 2012.

Soares e Araújo Ltda

Outra empresa que tem como sócio José Jeconias, é a Soares e Araújo Ltda, que realizou contratações com o município de Bertolínia e recebeu R$ 115.600,00 (cento e quinze mil e seiscentos reais) entre 2013 e 2016.

José Jeconias foi prefeito do município de Sebastião Leal durante dois mandatos, 2005 a 2008 e 2009 a 2012 e em decorrência de sua atuação como gestor, foi condenado pela Justiça Federal do Piauí por improbidade administrativa, resultando na obrigação de ressarcimento do dano, acrescido de multa, na suspensão dos direitos políticos por cinco anos e na proibição de contratar com o Poder Público, ou receber benefícios/incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.

Alvos da Operação Bacuri foram denunciados

Além do prefeito ex-prefeito José Jeconias e do prefeito de Bertolínia, Luciano Fonseca, foram denunciados por crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, a primeira-dama de Bertolínia, Ringlasia Lino Pereira dos Santos (esposa do prefeito); Eliane Maria Alves da Fonseca (mãe do prefeito); Richel Sousa e Silva (primo do prefeito); Aluízio José de Sousa (pai do prefeito); Max Weslen Veloso de Moraes Pires (procurador do município); Rodrigo de Sousa Pereira (assessor especial do prefeito); Ronaldo Almeida da Fonseca (comissionado) e Kairon Tácio Rodrigues Veloso (primo do procurador do município).

O promotor José William ressaltou ainda ao GP1 que as investigações continuam no sentido de ampliar a participação de demais envolvidos no esquema criminoso.

“Houve a denúncia, mas as investigações continuam em relação a outros eventuais envolvidos para verificar se essa organização criminosa atuava em outros municípios, incluindo a busca pela reparação do dano ao erário, que o dinheiro desviado volte aos cofres públicos. Naturalmente, pode haver outras fases a serem deflagradas em caso de necessidade. O processo corre no Tribunal de Justiça, a denúncia foi oferecida no prazo legal de cinco dias, sendo que o desembargador-relator terá que marcar sessão para o Tribunal receber ou não a denúncia”, finalizou o promotor José William.

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