Teresina - PI

Promotor apura participação de segunda pessoa na morte de Camilla Abreu

A advogada Ravenna Castro falou ao GP1 que existe a possibilidade do promotor pedir uma reconstituição do crime.

Germana Chaves
Teresina
Andressa Martins
Teresina
- atualizado

Em entrevista ao GP1 na tarde desta terça-feira (05), a advogada Ravenna Castro, que representa a família da estudante de direito Camilla Abreu afirmou que há a possibilidade do capitão da Polícia Militar, Allisson Wattson, ter tido ajuda de uma segunda pessoa no assassinato e na ocultação do cadáver da jovem. O promotor Benigno Filho investiga o caso.

A suspeita foi gerada após uma testemunha afirmar que teria visto o capitão acompanhado de outra pessoa após o crime. No inquérito não foi possível identificar quem estaria acompanhando o capitão. “Pelo que foi dito por uma das testemunhas do inquérito, levantou a dúvida do promotor se o capitão cometeu a dinâmica do crime todo sozinho”, contou a advogada.

Outro ponto chave para levantar dúvidas ao promotor foi que Camilla teria sido encontrada com roupa, mas sem a calcinha. “A Camila era uma mulher de quase 1,70 de altura, com peso razoável. Então pra ele ter conseguido fazer esse homicídio, carregar o corpo da Camilla, colocar no porta-malas, vestir a Camilla sozinho, uma mulher já desfalecida, morta [ele precisava de ajuda] para ter colocado uma calça apertada daquelas. E a calcinha da Camilla desapareceu. Como foi que ela tirou essa calcinha sem tirar a calça?”, questionou Ravenna.

  • Foto: Facebook/Camilla AbreuCamilla AbreuCamilla Abreu

“No inquérito a gente não conseguiu identificar quem foi essa pessoa, mas o promotor está com sérias dúvidas de que essa pessoa ajudou. Porque ele não teria conseguido fazer toda essa dinâmica de matar, de vestir, de botar no bagageiro do carro, de procurar um local para o corpo dela, esconder o corpo dela e ainda cortar galho de árvore nervoso, sozinho”, continuou.

O laudo do IML que vai constatar se houve ou não relação sexual ainda não foi concluído. “A gente pensa assim: ele cometeu o ato e depois de ter cometido o ato pode ter matado ela ainda nua e ter vestido depois, mas com ajuda de alguém”, disse.

Reconstituição do crime

“Inclusive há a possibilidade de ele [Benigno Filho] pedir uma reconstituição, uma simulação do crime para refazer todo o percurso para a gente entender se ele cometeu isso tudo sozinho ou não”, disse Ravenna.

Exclusão do capitão da PM

Ravenna Castro ainda acrescentou que a família aguarda a expulsão do capitão. “O que a gente quer cobrar é a decisão do Conselho de Justificação a respeito da exclusão dele. Porque já está com mais de 30 dias que a Camilla foi morta e até hoje nunca saiu nenhuma decisão do Conselho de Justificação [da Polícia Militar]. Aí o comandante [coronel Carlos Augusto] vai para a televisão dizer que tá adiantado e já tá com mais de 30 dias e até agora não teve decisão nenhuma de lá”, cobrou a advogada.

  • Foto: Instagram/Allisson WattsonAllisson WattsonAllisson Wattson

“Eles estão com dois inquéritos arquivados de denúncias contra o capitão. Duas denúncias que tramitaram lá e foram arquivadas no Conselho de Justificação da Polícia Militar. O caso da Camila já é a terceira denúncia contra ele. Uma parece que foi por disparo de arma de fogo contra uma pessoa e a outra me parece que foi uma pessoa que ele ameaçou usando a arma, colocando a pessoa em cárcere privado. Todas por conduta violenta”, concluiu.

Relembre o caso

A estudante de direito, Camilla Abreu, desapareceu no dia 26 de outubro. Ela foi vista pela última vez em um bar no bairro Morada do Sol, na zona leste de Teresina, acompanhada do namorado e capitão da PM, Allisson Wattson. Após o desaparecimento, o capitão ficou incomunicável durante dois dias, retornando apenas na sexta-feira (27) e afirmou não saber do paradeiro da jovem.

A Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Barêtta, assumiu as investigações. O capitão foi visto em um posto de lavagem às margens do Rio Parnaíba, a fim de lavar seu carro sujo de sangue. Allisson disse ao lavador de carros que o sangue era decorrente de pessoas acidentadas que ele havia socorrido.

Na tentativa de ocultar as provas do crime, o capitão trocou o estofado do veículo e tentou vendê-lo na cidade de Campo Maior, mas não conseguiu pelo forte cheiro de sangue que permanecia no carro.

Durante investigação, a polícia quis periciar o carro, mas Allisson disse ter vendido o veículo, mas não lembrava para quem. No dia 31 de outubro, o delegado Francisco Costa, o Barêtta, confirmou a morte da jovem. Já na parte da tarde, Allisson foi preso e indicou onde estava o corpo da estudante.

Na manhã de 1º de novembro, o corpo da estudante foi enterrado sob forte comoção no cemitério São Judas Tadeu.