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Motoristas de ônibus estão em greve há quase 25 dias em Teresina

O Setut, por meio de nota, informou que não houve possibilidades de negociação com os trabalhadores, pois as projeções econômicas impossibilitaram as empresas de arcar com os custos básicos.

A população da cidade de Teresina já está há quase 25 dias sem o serviço de transporte público municipal desde que os motoristas e cobradores resolveram cruzar os braços no último dia 15 de maio após uma falta de acordo entre trabalhadores e o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Teresina (Setut). Ao todo já são 300 demissões realizadas.

O Setut, por meio de nota, informou que não houve possibilidades de negociação com os trabalhadores devido a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), pois as projeções econômicas impossibilitaram as empresas de arcar com os custos básicos.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Usuários do transporte público nas paradas de ônibus de TeresinaUsuários do transporte público nas paradas de ônibus de Teresina

“O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que o prazo da última convenção coletiva encerrou em janeiro de 2020 e, ao final deste período, não houve possibilidade de nova renegociação com os trabalhadores, dentro das possibilidades e das projeções econômicas para este ano. Com o surgimento da pandemia da Covid-19, o sistema passou a transportar apenas 5% da demanda, durante estes mais de 50 dias até o momento, resultando em um impacto negativo na arrecadação que não cobre sequer os custos básicos, como o óleo diesel”, informou.

Já a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) alegou, também em nota, que está acompanhando a situação do sistema de transporte público, que está repassando o valor subsidiado pela Prefeitura de Teresina para as empresas e espera que a circulação de ônibus retorne com 30% da frota.

  • Foto: Vitória Vivian/ GP1Fachada da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans)Fachada da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans)

“A Strans esclarece que vem acompanhando as negociações entre o Setut e Sintetro e que tem contribuído dentro das normas de contrato, com o repasse do subsídio mensalmente acordado. A superintendência espera que haja um entendimento entre patrões e empregados para que retorne a operação do transporte público com os 30% constitucionais previstos em contrato”, alegou.

Reivindicações

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí (SINTETRO), Fernando Feijão, os funcionários reivindicam a proposta de empresários que visa retirar alguns direitos dos cobradores e motoristas, como suspensão do ticket alimentação e do plano de saúde durante a pandemia do novo coronavírus.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Fernando FeijãoFernando Feijão

“Quando a categoria resolveu entrar em greve os motivos eram os atrasos e as demissões, agora se intensificou porque a proposta dos empresários é retirar os direitos dos trabalhadores, retirar o ticket e o plano de saúde. A situação hoje é complicada, a prefeitura não se pronuncia e viemos pedir ao prefeito que faça valer esses direitos, porque não vamos abrir mão deles. Todos os meses há um subsídio para o transporte público de Teresina e os empresários querem que aumentem esse subsidio, enquanto não aumenta os trabalhadores ficam sem receber, não paga ticket, nem plano de saúde”, disse Fernando Feijão ao GP1.

Demissões

Fernando Feijão afirmou ainda que mais de 300 trabalhadores da categoria já foram demitidos durante a pandemia. Ele afirma que estão realizando doações entre eles para distribuir cestas básicas aos demitidos, que se encontram sem recursos para alimentação.

“Já foram demitidos mais de 300 trabalhadores e a grande maioria deles estão com os direitos depositados judicialmente. Nós entramos com uma ação junto ao Ministério Público para garantir isso, mas muitos estão passando fome. Estamos nos ajudando dentro da própria categoria, juntamos 20 reais de cada um para fazer uma cesta básica a quem estiver precisando. Queremos a sensibilização do prefeito diante de tudo isso. Nós somos do grupo de risco também e não estamos sendo respeitados, não adianta nos mandar para casa sem nada”, concluiu o presidente do Sintetro.

Confira a nota do Setut na íntegra

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que o prazo da última convenção coletiva encerrou em janeiro de 2020 e, ao final deste período, não houve possibilidade de nova renegociação com os trabalhadores, dentro das possibilidades e das projeções econômicas para este ano.

Com o surgimento da pandemia da Covid-19, o sistema passou a transportar apenas 5% da demanda, durante estes mais de 50 dias até o momento, resultando em um impacto negativo na arrecadação que não cobre sequer os custos básicos, como o óleo diesel. Após o início da greve (15/5/20), o sistema de transporte está totalmente parado há 20 dias.

Diante desta queda na arrecadação, o SETUT informou ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro-PI) que as empresas cumprirão o que rege à normativas concedidas pelo Governo para ajudar o setor patronal.

O SETUT reforça ainda que compreende o atual momento enfrentado pela classe laboral, mas não julga possível realizar acordos diante deste atual período de incertezas.

As projeções econômicas nacionais para o setor de transportes, preveem queda próximo aos 50% na demanda. Portanto, as empresas reforçam que seguirão realizando o que está ao seu alcance e de acordo com a legislação vigente.

Paulatinamente, serão revistos periodicamente o cenário do setor, e conforme os avanços ou decréscimos observados na economia, será discutido com o sindicato laboral o que ainda poderá ser feito para, juntos, tentar manter o sistema de transporte público ativo.

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