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Teresina - Piauí

TJ mantém pena de 14 anos e 9 meses de prisão a acusado de matar o estudante Rayron Holanda

A decisão foi unânime entre os desembargadores da 2ª Câmara Especializada Criminal.

O Tribunal de Justiça do Piauí, por meio da 2ª Câmara Especializada Criminal, manteve, no último dia 29 de abril, a condenação de Wanderson Luiz da Anunciação Rocha, nome amplamente conhecido na crônica policial de Teresina. Ele ficou nacionalmente marcado pela ligação com a brutal morte do estudante universitário Antônio Rayron Soares de Holanda, ocorrida em 2017, crime que chocou a sociedade piauiense.

Agora, Wanderson Luiz foi condenado definitivamente a 14 anos, 9 meses e 23 dias de reclusão, além de 74 dias-multa, por um novo crime de roubo majorado, somando-se ao seu histórico criminal.

Foto: Reprodução/WhatsAppWanderson Luiz da Anunciação Rocha
Wanderson Luiz da Anunciação Rocha

A defesa do réu ingressou com uma Apelação Criminal, alegando insuficiência de provas de autoria e suposta violação ao artigo 226 do Código de Processo Penal (CPP), relacionado ao reconhecimento fotográfico. No entanto, o recurso foi totalmente rejeitado, e a sentença condenatória foi mantida integralmente.

A decisão foi unânime entre os desembargadores da 2ª Câmara, formada por Joaquim Dias de Santana Filho (relator), José Vidal de Freitas Filho (presidente) e Valdênia Moura Marques de Sá, que acompanharam o voto pela manutenção da pena e validade das provas apresentadas.

O assalto e a denúncia

Segundo o relatório do processo, a denúncia narra um assalto violento ocorrido no dia 19 de junho de 2022, por volta das 10h. A residência de Lucídio Beserra Primo, situada na Rua Torquato Neto, no bairro São Cristóvão, em Teresina, foi invadida por Wanderson Luiz, que agiu em conjunto com outros três homens não identificados. Armados e fazendo grave ameaça, os criminosos renderam os moradores e roubaram diversos bens de valor.

As vítimas – Lucídio, seu filho Caique Gomes Beserra, sua esposa Edileusa Gomes da Silva Beserra, sua filha Milena Vitória Gomes Beserra e sua sobrinha Jaqueline – foram rendidas sob a mira de armamento pesado. Durante a ação, foram obrigadas a deitar no chão e, em seguida, trancadas em uma pequena sala próxima à garagem, enquanto os assaltantes saqueavam o imóvel.

Entre os objetos levados estavam um veículo Chevrolet S10 LT, cinco celulares de marcas como Samsung, Motorola One Fusion, iPhone 11, Xiaomi Pantech e Motorola G6, além de dois notebooks, três televisores, joias e bebidas. A prática criminosa foi enquadrada como roubo majorado, cometido cinco vezes em concurso formal, o que influenciou diretamente na fixação da pena elevada.

Investigação minuciosa e o peso do histórico criminal

Após o roubo, os criminosos fugiram utilizando o veículo Chevrolet S10 levado da residência. A investigação policial foi iniciada imediatamente e, dias depois, uma informação se revelou crucial: o mesmo veículo havia sido utilizado em outro assalto, ocorrido em 21 de junho de 2022, contra um estabelecimento comercial na zona norte de Teresina. Nesse segundo crime, uma arma pertencente a um policial militar foi roubada. As imagens registradas durante a ação foram determinantes para a identificação de Wanderson Luiz da Anunciação Rocha como um dos autores.

As vítimas do primeiro roubo — Milena Vitória Gomes Beserra, Edileusa Gomes da Silva Beserra e Lucídio Beserra Primo — reconheceram Wanderson Luiz ao analisarem as imagens do segundo assalto. O reconhecimento fotográfico foi realizado com cautela, obedecendo às formalidades previstas no artigo 226 do Código de Processo Penal (CPP), com a fotografia do acusado disposta ao lado de outras três, garantindo isonomia no procedimento.

Wanderson Luiz foi preso em 10 de fevereiro de 2023. Já sob custódia no sistema penitenciário piauiense, foi submetido a um novo reconhecimento, desta vez por videoconferência. Ele foi colocado em uma sala com outros três detentos e, novamente, as três vítimas o identificaram de forma inequívoca como um dos assaltantes.

Durante a investigação, parte dos bens roubados foi recuperada. Dois aparelhos celulares foram localizados com Luciano da Silva Teixeira e Josiane Maria dos Santos Oliveira, que alegaram tê-los adquirido sem nota fiscal. Embora os celulares tenham sido devolvidos às vítimas, o veículo e os demais itens subtraídos não foram localizados até a data da denúncia.

O histórico criminal de Wanderson Luiz teve peso significativo nas decisões do tribunal. Conforme certidão anexada aos autos digitais, ele responde a diversos outros processos na Comarca de Teresina, muitos por crimes semelhantes, com o mesmo modus operandi, voltados contra o patrimônio. Esse histórico agravou a nova condenação, reforçando a reincidência e a periculosidade do réu.

A sombra do crime de 2017: o assassinato de Rayron Soares

É neste ponto que a figura de Wanderson Luiz se revela ainda mais sombria para a população de Teresina. Ele já havia sido condenado pela morte do estudante universitário Antônio Rayron Soares de Holanda, de 22 anos, um crime que, em 2017, chocou profundamente a capital piauiense. Rayron, que estagiava no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), foi vítima de um latrocínio ocorrido na Avenida Miguel Rosa, próximo ao cruzamento com a Avenida Valter Alencar, bairro Monte Castelo, Zona Sul da capital, logo após sair do estágio.

Ao reagir ao assalto, o estudante foi ferido com um tiro no peito. O criminoso fugiu em seguida sem levar os pertences do jovem, mas deixando para trás um rastro de comoção e indignação na sociedade teresinense. A reincidência e a gravidade dos crimes atribuídos a Wanderson Luiz reforçam a percepção de sua periculosidade e a necessidade da atuação rigorosa da justiça.

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