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Teresina - Piauí

Juiz concede prisão domiciliar a influencer Ana Azevedo acusada de envolvimento com o Bonde dos 40

Ela foi presa no dia 30 de abril, no âmbito da Operação Faixa Rosa, deflagrada pelo DRACO.

A influenciadora Ivana Azevedo Alves, mais conhecida como Ana Azevedo, teve a prisão domiciliar concedida nessa quinta-feira (10) pelo juiz Valdemir ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina. Ela foi presa no dia 30 de abril, no âmbito da Operação Faixa Rosa, deflagrada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).

Segundo o magistrado, o pedido da defesa de encaminhar a blogueira para prisão domiciliar foi considerado pelo fato de Ana Azevedo ser mãe de uma criança menor de 12 anos. Dessa forma, ela permanecerá reclusa na própria residência, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.

Foto: Reprodução/WhatsAppMomento da prisão da influencer Ana Azevedo
Momento da prisão da influencer Ana Azevedo

Com bastante seguidores nas redes sociais, Ana Azevedo é acusada de fomentar as ações de facções criminosas pelas plataformas digitais, cooptando jovens para integrar o crime organizado. Além disso, foi identificada uma participação ativa da influenciadora no núcleo feminino do Bonde dos 40.

Ao todo, mais de 10 mulheres já foram presas no âmbito da Operação Faixa Rosa pela mesma acusação. Na época em que a ação policial foi deflagrada, o delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO, chegou a alertar sobre a disseminação das atividades criminosas nas redes sociais, uma prática que tem se tornado cada vez mais comum entre os integrantes de facção.

Mensagens no WhatsApp revelaram participação com a organização criminosa

Em áudios coletados no aparelho celular de Ana Azevedo e de outras mulheres alvos da operação Faixa Rosa, a autoridade policial identificou conversas em que as investigadas coletam informações sobre rivais, aliciam novos membros, discutem ações internas da facção, planejam execuções e planejavam atos criminosos.

Na mensagem de voz coletada do grupo de Whatsapp “A LUTA NÂO PARA”, Ana Azevedo fala com a madrinha do núcleo feminino da facção, justificando o que seriam cobranças por parte da influencer a terceiros dentro do grupo criminoso.

Ana Azevedo: “Pelo contrário, em momento nenhum eu vim aqui falar nada para vocês não, entendeu! Tentei resolver com ela, somente com ela, até porque quem me deve é ela, não é nenhuma de vocês aqui. Então, todo tempo eu cheguei no direct dela, nunca vim atrás nem da madrinha pra tá falando sobre essas coisas, porque eu tentei resolver com ela. Eu sim iria levar ela para internet como vocês viram aí no print, porque eu sou uma pessoa pública e nós que somos blogueiras, algumas vezes é necessário postar algumas coisas…”;

Nesse áudio, a madrinha do núcleo feminino da facção se reclama de estar passando sempre "a mesma visão" às lideradas, demonstrando em uma verdadeira insatisfação.

"Madrinha" do núcleo feminino da facção: "Ela está ciente aí, viu? Ana Azevedo e Lara, vê o estatuto de novo aí, o certo é o certo, tá tudo escrito aí, entendeu? Já tô cansada de estar passando a visão, já tô cansada de estar chegando aqui, porque praticamente eu chego aqui no grupo, tá ligado, por certa coisa, sobe pra agitar, falar bom dia, boa noite, boa tarde pra todos vocês, mas fica chato, entendeu? Toda vez vindo aqui falando a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa, sendo que já foi um grau, dois graus, três graus, essa já é quarto grau, mano, p***";

"Madrinha" do núcleo feminino da facção: Minha irmãzona aqui de guerra, parece que nossa irmã vai me desculpando aí, a palavra que eu tô falando aqui vai me desculpando, mas parece que você entrou pra nossa família só pra ficar sussuna quebrada, só pra ficar com fufu também, não, nem assim não, rapaz. Bora maneirar nas coisas, bora caçar a meta de todo mundo matar alemã, só ficar com fufu não, toda vez um fufu pra nossa organização resolver toda vez, toda vez quando não é uma coisa é outra, a nossa organização não é só de fufu não".

Indiciamento

Diante desses elementos, o final da investigação desprendida pelo DRACO resultou no indiciamento de 19 pessoas pelos crimes de organização criminosa e apologia ao crime. São elas:

1. ALZICAR DA SILVA MAGALHAES, alcunha “Morceguinho”;
2. ANA PAULA PEREIRA DE OLIVEIRA, alcunha “Morena da SDT" e "Rainha do sul”;
3. ANTÔNIA ROSEANE RODRIGUES DOS SANTOS, alcunha “Perigosa”;
4. DAIANA DE JESUS CHAVES, alcunha “Catrina”;
5. DAINARA BEATRIZ DOS SANTOS BEZERRA, alcunha “Bonequinha”;
6. ERYKA CAROLLYNE COSTA ARAUJO;
7. IVANA AZEVEDO ALVES, alcunha "Ana Azevedo";
8. LANNA GEISIELLY LIMA SA, alcunha “Fragozinha”;
9. LARA GRAZIELLE DOS REIS, alcunha “LALAZINHA”;
10. LAYLA MOURA DOS SANTOS FEITOSA, alcunha “Palhacinha”;
11. MARIA ESTER DOS SANTOS BATISTA, alcunha “Pretinha", "Rainha do Egito”;
12. NAIANE BEATRIZ MAGALHAES AZEVEDO, alcunha “Barbie”;
13. PAMELA RAYNNA BARROS OLIVEIRA, alcunha “Bruxinha";
14. ⁠MARIA BEATRIZ HOLANDA DE MATOS.

Foto: Divulgação/SSP-PIOperação DRACO 210 - Faixa Rosa
Operação DRACO 210 - Faixa Rosa

Todas foram presas durante a Operação Faixa Rosa. Das 19 indiciadas, cinco ainda não foram presas: uma está foragida e quatro surgiram após a ação policial e tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Por esete motivo, os nomes não foram divulgados.

Ré por posse ilegal de arma de fogo e receptação

Ana Azevedo e o companheiro, identificado como Victor Rangel Lopes da Silva, se tornaram réus após o juiz Caio Cézar Carvalho de Araújo, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, receber a denúncia em que ambos são acusados por posse ilegal de arma de fogo e receptação.

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