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Teresina - Piauí

Deolindo Moura questiona discurso de "rombo" e aponta contradições do prefeito Sílvio Mendes

As declarações do vereador ganham força diante das reportagens que o GP1 tem publicado com exclusividade.

O vereador Deolindo Moura (PT) voltou a criticar publicamente a gestão do prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), durante sessão na Câmara Municipal, na terça-feira (05). O petista contestou a narrativa adotada pelo chefe do Executivo municipal de que a atual administração enfrenta um "rombo" financeiro herdado da gestão anterior. Segundo Deolindo, o argumento é contraditório, uma vez que as mesmas empresas contratadas na gestão passada continuam sendo utilizadas na atual administração.

A fala ocorreu após o pronunciamento do vereador Dudu (PT), que também cobrou ações concretas da Prefeitura e criticou a escassez de resultados. Deolindo reforçou que não vê coerência no discurso de crise apresentado pelo prefeito.

Foto: Lucas Dias/GP1Vereador Deolindo Moura foi contra manutenção do veto
Vereador Deolindo Moura foi contra manutenção do veto

“Ele fala em rombo deixado pela gestão anterior, mas contrata exatamente as mesmas empresas que já atuavam na prefeitura. Como é possível alegar má gestão e manter os mesmos prestadores de serviço?”, questionou Deolindo Moura.

Contratos sob suspeita

As declarações do vereador ganham força diante das reportagens que o GP1 tem publicado com exclusividade sobre os contratos da Gestão Sílvio Mendes com empresas envolvidas em polêmicas, entre elas a Nutri Brasil Eireli.

A empresa voltou ao centro das atenções após ser recontratada pela Prefeitura, mesmo após ter sido processada pela Fundação Municipal de Saúde (FMS) durante a gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa. A ação judicial se referia ao descumprimento contratual relacionado ao fornecimento de refeições para a rede hospitalar da capital.

Apesar do histórico de problemas, a Nutri Brasil foi novamente contratada pela FMS em abril deste ano, já sob a gestão de Sílvio Mendes. A decisão foi tomada pouco mais de um mês após a própria fundação, ainda sob o atual governo, ter se manifestado judicialmente contra a empresa.

Contrato sem licitação e com valor triplicado

O primeiro contrato com a Nutri Brasil foi firmado em julho de 2024, ainda na gestão anterior, com valor de R$ 4,9 milhões para o fornecimento de 325.523 refeições. No entanto, antes mesmo do fim da vigência desse contrato que expiraria em julho de 2025, a empresa foi recontratada pela atual gestão sem licitação, agora por um valor significativamente maior: R$ 14,8 milhões.

A nova contratação, assinada por Charles Silveira, então presidente da FMS, previa o fornecimento de 940.248 refeições por mais 12 meses. A decisão da gestão municipal de seguir com a mesma empresa, ignorando os problemas registrados anteriormente, alimenta o discurso da oposição sobre contradições na administração de Sílvio Mendes.

Para Deolindo Moura, a atual gestão precisa dar mais explicações à sociedade. “Não dá para culpar gestões passadas e, ao mesmo tempo, repetir os mesmos erros com as mesmas empresas. A população exige transparência e responsabilidade com o dinheiro público”, concluiu.

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