A defesa da jovem agredida pelo ex-companheiro, o policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva, ingressou na Justiça com pedido para que ele passe a utilizar tornozeleira eletrônica, após ser solto durante audiência de custódia. Ele foi preso em flagrante, acusado de agredir a vítima e mantê-la em cárcere privado em um condomínio na zona leste de Teresina.
De acordo com informações repassadas ao GP1 pelo advogado da vítima, Smailly Carvalho, foi solicitado o monitoramento eletrônico do suspeito. “Existem várias medidas protetivas. Nós solicitamos o uso da tornozeleira, com o botão de pânico para a vítima”, declarou.
O advogado destacou ainda a gravidade da situação e o temor pela segurança da jovem. “Ela está praticamente reclusa em casa. Sofreu todos os tipos de agressões e manter esse rapaz em liberdade representa uma ameaça enorme. Já presenciamos prisões por muito menos”, pontuou.
Agressões e pedido de socorro
O caso ocorreu na madrugada do dia 27 de abril, em um condomínio localizado no bairro Santa Lia, zona leste da capital. A vítima conseguiu pedir ajuda por meio de um grupo de colegas de trabalho no aplicativo WhatsApp, que acionaram a polícia e prestaram socorro.
De acordo com familiares ao GP1, as agressões começaram ainda na manhã do domingo (26). A jovem teria sido atacada ao retornar ao quarto após preparar o café. Ao longo do dia, a violência se intensificou, com episódios de agressões físicas em diferentes cômodos do imóvel, incluindo empurrões e estrangulamentos.
Durante a noite, conforme o relato, o policial permaneceu armado em parte do tempo e teria feito ameaças contra a própria vida e a da vítima. Mesmo diante da situação, a jovem conseguiu acionar amigos, que mobilizaram ajuda.
Cárcere e violência sexual
A vítima afirma que foi mantida contra a própria vontade dentro da residência e também sofreu tentativa de violência sexual. Segundo o advogado, houve agressões de natureza sexual durante o episódio. “Essa moça foi agredida inclusive sexualmente”, reforçou a defesa.
Questionamentos sobre atuação policial
Familiares da vítima também levantaram questionamentos sobre a atuação dos policiais que atenderam à ocorrência. Segundo eles, após o primeiro atendimento, alguns agentes teriam permanecido conversando com o suspeito dentro do imóvel.
Ainda conforme o relato, o policial teria tentado inverter a situação ao enviar mensagens em um grupo da corporação, alegando que a vítima não aceitava o fim do relacionamento. “Ela estava trancada dentro de casa. Quando a viatura chegou, vários policiais conhecidos dele entraram e passaram horas conversando com ele, enquanto ela permanecia no corredor aguardando ajuda”, afirmaram.
Atendimento na delegacia
Os familiares relataram ainda que, na delegacia, a vítima se sentiu coagida e que o caso não teria sido tratado com a devida gravidade. Segundo eles, houve minimização dos relatos, inclusive em relação à tentativa de violência sexual. “O delegado não considerou a tentativa de forçá-la a fazer sexo oral e tratou o caso de forma superficial. Mesmo ela relatando tudo, foi dito que não havia lesão aparente, sendo que ela mal conseguia caminhar. Profissionais da Maternidade Evangelina Rosa presenciaram o estado em que ela estava”, afirmou um dos familiares.
Veja a nota da PM na íntegra
A Polícia Militar do Piauí informa que atendeu a uma ocorrência envolvendo um policial militar, suspeito de violência doméstica, na noite deste domingo (26).
De imediato, equipes da polícia militar foram acionadas, prestaram o devido atendimento à vítima e realizaram seu encaminhamento à Casa da Mulher Brasileira, garantindo a assistência necessária e a adoção das medidas de proteção cabíveis. O policial envolvido foi autuado e conduzido ao presídio militar, onde permanecerá à disposição da justiça.
A corporação informa ainda que será instaurado procedimento administrativo para apurar rigorosamente a conduta do policial, assegurando o devido processo legal. A Polícia Militar do Piauí reforça que não compactua com qualquer tipo de violência, especialmente no âmbito doméstico e familiar, e reitera seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a proteção da sociedade.
Izabella Furtado
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