A corretora de imóveis e empresária Bianca Brígida, de 30 anos, concedeu entrevista ao GP1, nesta terça-feira (5), após denunciar ter sido vítima de violência doméstica praticada pelo marido, o mecânico e empresário José Alves da Costa Filho, com quem mantinha um relacionamento há 15 anos. O caso mais recente ocorreu na noite do domingo (3), na zona sudeste de Teresina, quando ele foi preso em flagrante.
Agressões constantes, inclusive diante dos filhos
Em seu relato, Bianca afirmou que as agressões eram frequentes e, muitas vezes, aconteciam na frente dos filhos do casal. “O Bernardo e o Benjamim não vão esquecer nunca mais. Eu não quero mais que eles presenciem isso. O Bernardo dizia: ‘papai, não bate na mamãe, ela é princesa’. E ele dizia que não ia bater, mas terminava batendo quando queria”, contou.
Último episódio de violência
Segundo a empresária, a última agressão ocorreu enquanto o casal estava no local de um novo empreendimento. “A gente tinha ido limpar a loja. Ele começou a beber, estava tranquilo, e eu estava feliz porque era uma conquista minha. Foi quando a minha cunhada chegou. A gente foi buscar as cadeiras na casa da minha sogra, pedimos mais cerveja e eles ficaram ali bebendo. Mas, de uma hora para outra, ele começou uma agonia, eu não sei o que era, e passou a me chamar de desgraçada”, relatou.
“Em determinado momento, ele pediu a chave do carro, disse que ia resolver um negócio, e eu perguntei que negócio era esse e para onde ele iria. Ele então pegou a chave do balcão e deu um soco na minha boca. A irmã dele entrou na frente para intervir e perguntou por que ele estava fazendo aquilo comigo”, pontuou Bianca.
Sequência de agressões
Bianca relatou ainda que sofreu uma série de agressões em sequência. “Eu disse para ele parar, mas, quando cheguei perto, ele já me deu outro soco, que foi no olho. Eu saí de perto novamente, desci a calçada e, quando subi outra vez, ele deu um soco no meu nariz. Foi quando eu caí no chão e bati a cabeça”, lembrou.
“A irmã dele mandou ele embora e ele saiu caminhando para a casa da mãe dele. Eu peguei o carro. Ia para casa, tomar o meu remédio e dormir. Eu não ia fazer denúncia nem nada. Mas a minha mãe disse que eu estava muito machucada”, afirmou Bianca.
Histórico de violência
“Ele chegou em casa bêbado. Minha irmã me viu dormindo ali, dopada, na mesa, já com medo do que ia acontecer. Ele chegou procurando briga, mas eu fiquei calada, porque sabia que ele poderia brigar com a Bárbara, e a situação poderia se agravar, já que ela é diferente de mim. Eu me calo. Ele então me bateu com correntes nas minhas pernas”, relatou Bianca.
Ela também contou que chegou a denunciar o marido em 2020, após descobrir uma traição. “Acho que foi perto da pandemia que ele estava tendo um caso com a minha vizinha, e eu peguei os dois no ato. Para me calar, ele me agrediu para que eu não contasse ao marido dela”, declarou.
Ainda conforme Bianca, a mãe do acusado sabia das agressões, e ela chegou a pedir que o filho não a agredisse. “Eu dizia para minha sogra. Ela pedia para ele não bater em mim, mas não adiantava. Ele dizia que não se separava porque eu não queria, mas isso não era verdade. Eu pedia para ele que nos acalmássemos”, disse.
Medo e ameaças
Bianca afirmou que teme novas agressões. “O medo que eu tenho agora é do que ele vai fazer comigo, porque ele dizia que eu ia desgraçar a vida dele. Eu sempre dizia que ia para casa, tomar remédio, que não ia fazer nada. Mas, dessa vez, eu fiz alguma coisa. Agora eu estou com medo do que ele pode fazer comigo. Ele sempre disse que ia me ensinar a cortar bem direitinho”, contou.
“Eu tenho medo de ele me matar, porque não sei o que está passando na cabeça dele”, completou a vítima, bastante abalada.
A vítima contou ainda que permaneceu no relacionamento por acreditar em uma mudança. Segundo ela, o companheiro também praticava violência psicológica. “Ele dizia que eu ia morrer sozinha, que eu era desgraçada, que eu ia viver separada como a minha mãe. Minha mãe é separada por escolha e é feliz hoje. Eu achava que conseguiria salvar esse relacionamento, que ele iria melhorar, que Deus iria ajudar. Eu queria ter a minha família”, desabafou.
Pedido por justiça
Por fim, Bianca disse esperar que o agressor seja responsabilizado. “Eu queria que ele pagasse pelo que fez, porque por muitos anos eu me calei. Agora ele precisa entender que nunca foi minha intenção desgraçar a vida dele, como ele dizia. Minha intenção sempre foi que ele mudasse. Eu quero que a justiça seja feita, porque ele dizia que eu podia denunciar, que no outro dia ele sairia, e isso realmente acontece. Quantas mulheres não viram estatística?”, lamentou.
“Eu quero que ele pelo menos pague pelo que fez, já que se acha tão dono de si, uma pessoa que não sabe pedir desculpa, mesmo estando errada. Ele não reconhece o erro. Ele acredita que não está errado, que eu merecia apanhar e que eu ainda vou pagar por isso”, concluiu Bianca.
Brunno Suênio
Wanessa Gommes
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