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Desembargador autoriza que advogado Richel Sousa viaje a trabalho

O ex-assessor foi preso no âmbito da “Operação Bacuri” deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado (GAECO).

O desembargador Pedro de Alcântara Macedo deferiu parcialmente, no último sábado (28), pedido formulado pela defesa do ex-assessor jurídico da Prefeitura de Bertolínia, Richel Sousa e Silva para revogar as medidas cautelares de recolhimento domiciliar noturno e de proibição de se ausentar da comarca sem prévia autorização judicial, fixadas quando da revogação da sua prisão preventiva.

O ex-assessor foi preso no âmbito da “Operação Bacuri” deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado (GAECO), no dia 03 de dezembro de 2019, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que atuava no município de Bertolínia, liderado pelo prefeito Luciano Fonseca, acusado de causar prejuízo ao erário no município.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Desembargador Pedro de AlcantaraDesembargador Pedro de Alcantara

Richel Sousa e Silva comprovou junto ao Tribunal de Justiça que tem como único meio de subsistência o exercício da advocacia nas comarcas de Bom Jesus, Floriano, Uruçuí, Cristino Castro, Jerumenha, Manoel Emídio, Oeiras e Regeneração, sendo contraproducente esperar por uma prévia autorização judicial para cada deslocamento a trabalho para outra comarca diversa de Teresina, onde atualmente reside.

O desembargador fixou novas medidas cautelares, no caso, o recolhimento domiciliar noturno, das 22h às 6h, ressalvada a eventual atuação no exercício da advocacia, a ser posteriormente comunicada em juízo; proibição de se ausentar da comarca onde reside, ressalvada a eventual atuação no exercício da advocacia, ou de mudar de endereço domiciliar, sem prévia comunicação ao juízo; proibição de manter contato, por qualquer meio, com os outros investigados ou com agentes políticos, servidores e terceirizados do município de Bertolínia, e o comparecimento perante as autoridades policial e judiciária, todas as vezes que for intimado para os atos do inquérito policial ou da instrução criminal.

Operação Bacuri

A Operação Bacuri foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado (GAECO) no dia 03 de dezembro de 2019 com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que atuava no município de Bertolínia.

De acordo com o GAECO, o Procurador Max Weslen Veloso de Morais Pires era o principal operador da organização criminosa. Segundo a denúncia, Max preparava pareceres jurídicos com o escopo de dar aparência de legalidade aos contratos oriundos de licitações fraudadas. O procurador é acusado de desvio de recursos públicos, fraude de licitação e lavagem de dinheiro, tendo movimentado mais de 5 milhões de reais entre 2013 e 2018.

Já Richel Sousa e Silva, primo do prefeito Luciano Fonseca, foi contratado pela Prefeitura de Bertolínia e recebeu o montante de R$ 212.799 em virtude de prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica ao município. É sócio da empresa Attanasio Silva Veículos, que mantém contrato de locação de veículos para lavar valores desviados do erário municipal, repassando de volta para o prefeito. O levantamento do Ministério Público aponta que ele movimentou entre 2013 e 2018 um total de R$ 7.451.822,84 através de pequenas transações bancárias.

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