Fechar
GP1

Piauí

Operação Carbono Oculto 86: empresários movimentaram R$ 5 bilhões em postos de combustíveis no Piauí

Além da lavagem de dinheiro, os postos vendiam combustível adulterado e sonegavam impostos.

A Polícia Civil do Piauí interditou, nesta quarta-feira (5), diversos postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins, suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. A ação integra a Operação Carbono Oculto 86, que revelou conexões da facção nas três regiões, utilizando os mesmos fundos e operadores financeiros já identificados pela primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo, em agosto.

Conforme as investigações, o PCC lavava dinheiro, fraudava o mercado de combustíveis e ocultava patrimônio por meio de empresas fantasmas e investimentos simulados. As informações iniciais da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) apontam movimentações que somam R$ 5 bilhões, sendo 16 postos apenas em Teresina.

Foto: Alef Leão/GP1Posto HD 09
Posto HD 09

Além da lavagem de dinheiro, os postos ligados à facção vendiam combustível adulterado e sonegavam impostos, em valores que ainda não foram divulgados. A atuação do PCC nesses três estados foi levantada ainda na primeira fase da operação, que mirou oito estados e identificou o uso de lojas de conveniência, padarias e administradoras como fachadas para o grupo criminoso.

Os postos interditados ficam nas cidades piauienses de Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira. No Maranhão, os alvos estão em Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras, e, no Tocantins, em São Miguel do Tocantins.

Entre os bens apreendidos estão quatro aeronaves e um carro de luxo avaliado em mais de R$ 550 mil. A Justiça também bloqueou contas bancárias e determinou o sequestro de imóveis e veículos de luxo, avaliados em R$ 348 milhões.

As autoridades identificaram que o esquema começou a se consolidar após a venda da Rede HD, com dezenas de postos nos três estados, em dezembro de 2023. A empresa foi negociada com a Pima Energia e Participações, criada apenas seis dias antes da transação.
Segundo os investigadores, foram encontradas inconsistências patrimoniais e alterações societárias suspeitas, indícios típicos de lavagem de dinheiro.

Durante a apuração, os agentes rastrearam uma transferência de mais de R$ 700 mil de um dos envolvidos para uma empresa já citada na operação em São Paulo, utilizando o mesmo padrão de ocultação com laranjas, fundos falsos, fintechs e mecanismos sofisticados de disfarce de recursos ilícitos.

Em São Paulo, a primeira fase da Operação Carbono Oculto, em agosto, revelou que a facção movimentou cerca de R$ 52 bilhões com o apoio de 40 fundos de investimento e instituições financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, principal polo do mercado financeiro do país.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.