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Delegacia Geral assume investigação contra empresário acusado de golpes no Piauí e Maranhão

O inquérito está sendo presidido pelo delegado Luciano Alcântara, que já catalogou 80 vítimas.

O delegado Luciano Alcântara foi designado, em caráter especial, para conduzir as investigações pela Delegacia Geral da Polícia Civil do Piauí sobre a denúncia de um golpe milionário contra cerca de 300 vítimas que apontam terem sido lesadas por um trader, identificado como Francisco das Chagas Chaves da Silva, que oferecia propostas de aplicações financeiras, através da empresa Xtreme Trader, com lucro de 10% na bolsa de valores.

Em entrevista ao GP1, o delegado Luciano Alcântara afirmou que até o momento 61 pessoas procuraram a Polícia Civil do Piauí para registrar Boletim de Ocorrência contra o trader e outras 19 pessoas também registraram Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do Maranhão em desfavor de Francisco das Chagas Chaves da Silva, que até o momento não se apresentou para esclarecer as denúncias.

Foto: Reprodução/InstagramFrancisco das Chagas Chaves da Silva
Francisco das Chagas Chaves da Silva

“Esse número de pessoas foi o que conseguimos catalogar até o momento, mas há pessoas que ainda não registraram B.O, disso nós temos certeza. De acordo com as informações, ele cessou o contato com as pessoas por telefone, WhatsApp, não se apresentou à polícia para prestar esclarecimentos, mesmo com a repercussão dos fatos, e até o momento ele não foi encontrado por ninguém. A investigação está começando, mas foragido ele não está, pois não existe nenhuma medida cautelar em desfavor dele”, pontuou o delegado Luciano Alcântara.

Delegado se reuniu com as vítimas

Nessa segunda-feira (23), o delegado Luciano Alcântara se reuniu com algumas vítimas e ouviu relatos acerca de como cada uma delas foi abordada e relatou ter sido lesada pelo trader. Para a autoridade policial, a maioria dos casos possui características de estelionato, no entanto, no decorrer das investigações a Polícia Civil poderá delimitar, a depender dos casos, qual tipificação será determinada.

Foto: Lucas Dias/GP1Luciano Alcântara, delegado
Luciano Alcântara, delegado da Polícia Civil do Piauí

“A princípio existe a informação de que ele teria angariado recursos e os utilizado em proveito próprio, em desfavor de outras pessoas e isso pode se caracterizar o crime de estelionato, mas em uma investigação pode ser que lá na frente a gente entenda que existiu uma outra relação entre ele as pessoas”, explicou.

Vítima relatou prejuízo de R$ 60 mil

Uma servidora pública federal, ouvida pelo GP1, relatou que teve um prejuízo de cerca de R$ 60 mil. Ela contou que era amiga de Francisco das Chagas e que passou a realizar investimentos com ele no ano de 2023, sempre com retorno de 10% das aplicações que fazia por meio da empresa Extreme, criada no ano de 2022. “A empresa dele existe desde 2022 e sempre deu muito certo. Então, não havia motivos para desconfiar até então. A gente entrou no projeto, confiou e acreditou, e assim foram mais clientes também. A gente fazia a transferência para conta da empresa, através de Pix, e ele fazia operações financeiras, investimentos na Bolsa de Valores com o nosso capital, com a garantia de lucro de 10% ao mês. Esses 10%, ele passava para o cliente e o restante era dele”, disse a vítima ao GP1.

Trader desapareceu do mapa

As vítimas relataram que aos poucos, Francisco das Chagas foi apresentando distanciamento, passando a não estar disponível como de costume, até que sua loja, que funcionava no Shopping Cocais, fechou as portas e ele cessou todo e qualquer tipo de contato com seus clientes.

“No sábado, dia 14, foi a última vez que a gente conseguiu algum contato com ele, foi a última vez que ele respondeu a gente no WhatsApp e depois sumiu, mas ele foi sumindo aos poucos, desaparecendo. No início, ele era bem ativo no grupo, mas ele foi sumindo, as pessoas começaram a cobrar, ele passou a inventar histórias, de que estava fazendo levantamento do dinheiro, que estava operando e que iria pagar todo mundo em um prazo X, que seria no final desse mês de junho. Porém, ele foi sumindo, as pessoas começaram a cobrar cada vez mais, porque ninguém via ele operando, ninguém via ele levantando esse dinheiro, até que o escritório foi fechado, as coisas de dentro do imóvel foram retiradas. Quanto mais as pessoas cobravam, mais ele sumia. O escritório fechou totalmente há cerca de duas semanas”, explicou.

Polícia Civil não descarta representar por medidas cautelares

Indagado pela reportagem se a Polícia Civil já possui elementos para representar por alguma medida cautelar em desfavor de Francisco das Chagas Chaves da Silva, a autoridade afirmou que nenhuma medida está descartada, mas ressaltou que as investigações sem sob sigilo e nenhuma informação será antecipada.

Foto: Lucas Dias/GP1Delegado Luciano Alcântara
Delegado Luciano Alcântara

“A Polícia Civil trabalha com fatos e caso eu verifique que é preciso adotar outra providência dentro da investigação eu não descarto nenhuma medida cautelar, mas eu ainda não me debrucei para tomar algum procedimento. E como a investigação é sigilosa, qualquer passo que for dado será feito em sigilo. Eu fui designado em caráter especial pelo delegado geral Luccy Keiko e todas as investigações estão concentradas em mim e esse inquérito vai correr dentro da Delegacia Geral”, finalizou o delegado Luciano Alcântara.

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