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Política

Deputada Erika Hilton move ação contra jornalista Paulo Figueiredo

Em um vídeo, o jornalista faz referências à deputada Erika Hilton utilizando seu nome de registro.

Uma apuração preliminar sobre um vídeo publicado pelo jornalista Paulo Figueiredo foi arquivada pela Procuradoria da República em Itapeva (SP). No material, ele faz referências à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), mulher trans, utilizando seu nome de registro e pronomes masculinos.

O órgão determinou o envio do caso ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, após informar que não possui competência para conduzir a investigação.

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosDeputada Erika Hilton
Deputada Erika Hilton

De acordo com o despacho, o vídeo, publicado em 18 de abril deste ano, comentava mudanças na política dos Estados Unidos sobre o registro do sexo biológico de pessoas trans em vistos. Figueiredo mencionou, então, o nome de registro da deputada, referiu-se a ela no masculino e exibiu um “antes e depois” da parlamentar.

Afirmou ainda que “ele é um desses que está na loucura de achar que virou mulher” e que “o problema não é ele achar que é uma mulher, o problema é ele querer nos obrigar a fingir que é uma mulher”.

O jornalista alegou, no vídeo, que “não tem nada contra o travesti” e conclui que “nós somos moralmente obrigados a não participar dessa histeria e do delírio dessas pessoas”.

A representação encaminhada ao MPF apontava possível prática dos crimes de racismo e injúria homofóbica. No entanto, o procurador da República Ricardo Tadeu Sampaio afirmou que a unidade de Itapeva não tem atribuição para apurar o caso, uma vez que Paulo Figueiredo reside fora do Brasil e seu último domicílio conhecido no país foi no Rio de Janeiro.

“É caso de não reconhecimento da atribuição desta Procuradoria da República em relação aos fatos imputados a Paulo Figueiredo”, escreveu o procurador, citando também o artigo 88 do Código de Processo Penal, segundo o qual “no processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da capital do estado onde houver por último residido o acusado”.

Foto: Agência BrasilJornalista Paulo Figueiredo
Jornalista Paulo Figueiredo

Caso vai para o MPF no RJ

Diante disso, a Procuradoria determinou o envio do caso ao MPF do Rio de Janeiro para “ciência e providências eventualmente cabíveis”.

O ex-deputado estadual Frederico Braun D’Avila (PL-SP) compartilhou a postagem, adicionando o comentário: “Os EUA expuseram, esta semana, o que Paulo Figueiredo nos mostra aqui: o Brasil é uma piada de muito mau gosto. E, por isso, somos motivo de chacota internacional.”

No caso de D’Avila, residente em Buri (SP), a Procuradoria instaurou procedimento investigatório para apurar sua conduta.

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