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Política

Coronel Mello Araújo diz que “estão enterrando o Bolsonaro vivo”

"Amizade, lealdade, não existe nada disso. Só existe uma disputa pelo poder", afirma o vice-prefeito.

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Augusto de Mello Araújo (PL), visitou, nesta terça-feira (26), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois ficaram a sós das 14h às 18h.

O militar da Rota afirmou que o encontrou triste e “indignado com tudo o que estão fazendo com ele”. Acrescentou ainda que o ex-presidente alterna entre gargalhadas, ao recordar momentos do passado, e lágrimas nos olhos por causa das “muitas injustiças” do presente. Segundo ele, Bolsonaro está sem apetite e já perdeu 3 kg desde que foi submetido à prisão domiciliar.

Foto: ReproduçãoCoronel Mello Araújo
Coronel Mello Araújo

O ex-presidente acompanha tudo o que está acontecendo do lado de fora, mesmo desanimado. "Os filhos estão indo lá e informando a ele, a Michelle também, a família toda", diz o coronel.

Líderes do Centrão têm tratado, desde a semana passada, a condenação do ex-presidente como fato consumado e deixado claro que o nome com mais apoio para substituí-lo na campanha presidencial de 2026 é Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Governadores como Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, tentam viabilizar seus nomes para candidatura à presidência. O próprio governador de São Paulo, com o mesmo intuito, tem se reunido com empresários, banqueiros e dirigentes partidários.

"Estão enterrando Bolsonaro vivo", diz Mello Araújo. "É como se um pai estivesse na UTI e os filhos estivessem disputando o espólio antes de ele morrer. E aqui eu não estou falando dos filhos do ex-presidente, não. Estou falando dos filhos políticos dele, dos herdeiros políticos do Bolsonaro", segue o vice.

O momento seria, de acordo com Mello Araújo, de todos os políticos de direita se unirem em torno da defesa de Bolsonaro e da denúncia de que ele sofre uma perseguição. "Amizade, lealdade, não existe nada disso. Só existe uma disputa pelo poder", alega.

O vice-prefeito afirma que, na conversa, não se alongaram sobre as movimentações políticas nem sobre candidaturas presidenciais. "Ele está a uma semana do julgamento. Falamos sobre isso, sobre as sacanagens que estão fazendo com ele [na Justiça]. Não entramos no mérito dessas artimanhas políticas", afirmou.

"Ele falou muito do julgamento, da possibilidade de ser condenado por algo que ele não fez [o ex-presidente responde a ação penal no STF por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes].

"Ele está indignado. Como uma pessoa dessas, o único presidente que não roubou, que não tem milhões em sua casa, nunca encontraram nada, vai ser condenado e preso? Enquanto bandidos são soltos diariamente?", diz Mello Araújo.

"Ele [Bolsonaro] me falou: 'Os caras vão me condenar sem que eu tenha feito nada, é uma injustiça'", segue Mello Araújo.

Sobre tentar animar o ex-presidente com lembranças do passado, o vice-prefeito afirmou: "Nessas horas é possível arrancar um riso, até uma gargalhada dele. O Bolsonaro tem esperança e fé muito grande numa intervenção divina", finaliza o vice-prefeito de São Paulo.

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