O Partido Liberal decidiu trocar seu candidato à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) em meio a uma estratégia para reduzir a rejeição do eleitorado feminino ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Inicialmente, o deputado federal Hélio Lopes (RJ) havia anunciado sua intenção de disputar o cargo, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, na quarta-feira (8), a legenda lançou oficialmente a candidatura da deputada federal Soraya Santos (RJ), com o respaldo de Flávio Bolsonaro.
O anúncio foi feito durante entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o senador aproveitou para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mencionar a ausência de indicações femininas para cargos no TCU. “Em três vagas, Lula não indicou nenhuma mulher. Ao TCU, na vaga da Câmara, o governo também não apoia e indica uma mulher para fazer parte daquela composição”, afirmou.
Representatividade feminina
Atualmente, os nove ministros do TCU são homens. Ao longo da história do órgão, apenas duas mulheres ocuparam cargos na Corte: Helvia Castello Branco, nomeada em 1985 pelo ex-presidente José Sarney, e Ana Arraes, indicada em 2011.
A escolha de Soraya Santos ocorre em um contexto de tentativa de ampliar a presença feminina em espaços de poder e também de ajustar a estratégia política do partido.
Perfis distintos
Hélio Lopes e Soraya Santos, ambos do Rio de Janeiro, possuem trajetórias diferentes. Enquanto Hélio tem formação em Gestão Pública, Financeira e Administração pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Soraya é formada em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Outro ponto de diferença é o tempo potencial no cargo. Caso indicado, Hélio poderia permanecer no TCU até 2044, enquanto Soraya teria permanência até 2033.
Outras candidaturas
Além do nome apoiado pelo PL, há outra mulher na disputa pelo campo da direita: a deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP). Ela é doutora em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e professora universitária, com pesquisa voltada à ética nos negócios.
A definição do novo ministro do TCU deve ocorrer nas próximas semanas, em meio às articulações políticas no Congresso Nacional.
Wanessa Gommes
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