O presidente nacional do Democracia Cristã (DC), João Caldas, afirmou que vetou a filiação do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que tentava ingressar na sigla de olho em uma possível volta ao comando do Executivo fluminense. A legenda atualmente abriga a pré-candidatura presidencial do ex-ministro Aldo Rebelo.
Em declaração à Folha de São Paulo, divulgada no sábado (2), João Caldas foi direto ao justificar a decisão. “Ele fez de tudo para entrar no partido, ligou, fez reunião. Mas eu disse que não, já tem muito doido no partido”, afirmou.
Witzel, que atuou como juiz federal por 17 anos, ganhou projeção política ao se alinhar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, surfando na onda de crescimento da direita no país. Com esse apoio, foi eleito governador do Rio de Janeiro, assumindo o Palácio Guanabara.
No entanto, sua gestão foi interrompida em abril de 2021, após um processo de impeachment aprovado por unanimidade (10 a 0) por um tribunal especial. A cassação teve como base as investigações da Operação Placebo, que apurou suspeitas de desvio de recursos públicos destinados ao combate da pandemia de Covid-19.
Atualmente, Witzel está filiado ao Democrata, novo nome do antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB). Ele foi eleito originalmente pelo Partido Social Cristão (PSC), legenda que acabou sendo incorporada pelo Podemos após não atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2022.
O cenário político no Rio de Janeiro segue instável. A crise recente levou ao comando provisório do Executivo pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto. Ele assumiu o governo após a renúncia de Cláudio Castro, diante da ausência de nomes na linha sucessória.
Agora, caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir os próximos passos: se haverá eleição suplementar direta ou se a escolha do governador tampão ficará a cargo dos deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Wanessa Gommes
Ver todos os comentários | 0 |