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Saúde

Covid-19: demora para comprar vacina atrasa imunização coreana

País está entre os menos vacinados no G-20, com apenas 34,9% dos 52 milhões de habitantes imunizados.
Por Estadão Conteúdo

Quando os sul-coreanos se conectaram a um site do governo este mês para agendar as consultas para a vacina contra a covid-19, uma janela pop-up avisou que havia “um pequeno” atraso: “Seu tempo de espera previsto: 111 horas, 23 minutos e 52 segundos”, diziam as mensagens. A maioria da população ainda aguarda sua vez de se vacinar.

Antes considerada um modelo na luta contra a pandemia, a Coreia do Sul tropeçou por meses com seu programa de vacinação. O país está entre os menos vacinados no G-20, com apenas 34,9% de seus 52 milhões de habitantes tendo recebido ao menos uma dose, bem abaixo dos 55% a 70% em outros países avançados.

O país está passando agora por sua pior onda de infecções, com 1.896 novos casos em 24 horas registrados ontem, sua maior contagem diária. Os críticos dizem que o governo, apoiado em seu sucesso inicial na pandemia, calculou mal a urgência com que a Coreia do Sul precisava garantir as vacinas.

Este mês, as autoridades disseram às pessoas de cerca de 50 anos que sua vez de fazer as reservas de vacinas finalmente havia chegado. Até 10 milhões se conectaram simultaneamente a um site do governo. O sistema, projetado para processar até 300 mil solicitações por vez, travou. Muitos candidatos foram informados de que precisavam reiniciar o processo após horas de espera.

A última onda de infecções pegou os funcionários desprevenidos. Algumas semanas atrás, o governo considerou relaxar as restrições antes das férias de verão (Hemisfério Norte). Os epidemiologistas alertaram contra a flexibilização enquanto as inoculações permaneciam baixas e a variante Delta, mais contagiosa, parecia estar se espalhando.

Quando as pessoas acusaram o governo de ser lento na aquisição de vacinas, funcionários disseram para não se preocuparem, dado o sucesso inicial do país em controlar a disseminação da covid-19.

Durante a maior parte do ano passado, a Coreia do Sul recebeu aplausos por seu programa de testes robustos e rastreamento de contatos ter permitido ao país evitar os severos bloqueios vistos em outros países. A economia sul-coreana foi uma das menos afetadas pela pandemia. Ao contrário dos EUA e do Reino Unido, que tiveram de distribuir vacinas com pressa para lidar com níveis graves de infecções, a Coreia do Sul se deu o luxo de esperar para ver se as vacinas eram eficazes e seguras.

Com o vírus em grande parte sob controle, a Coreia do Sul não agiu agressivamente para solicitar as doses enquanto elas estavam no início do desenvolvimento. E as consequências dessa decisão tornaram-se terrivelmente aparentes.

O país começou a vacinar apenas no fim de fevereiro. O número de doses administradas diariamente raramente ultrapassava 100 mil até o fim de maio, quando grandes carregamentos da vacina Oxford/AstraZeneca chegaram. No início de junho, cerca de 877 mil pessoas foram vacinadas por dia.

Mas o fracasso do governo em pressionar para garantir os primeiros carregamentos acabou colocando a Coreia do Sul no final da linha de entrega. No momento em que precisou de doses em grande quantidade, havia um gargalo no fornecimento, pois um punhado de fabricantes de vacinas lutava para atender à demanda global. O surgimento de variantes mais infecciosas piorou a escassez.

Apesar dos erros, as autoridades dizem que conseguirão cumprir sua meta de vacinar 36 milhões de pessoas – 70% da população – com pelo menos uma dose até o fim de setembro.

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