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Saúde

Queiroga diz que governo não vai obrigar pais a vacinar filhos

Para Queiroga, resposta para lidar com a crise sanitária é a ampliação da segunda dose da vacina.
Por Estadão Conteúdo

Na manhã desta quarta-feira, 12, em Guarulhos (SP), durante evento para apresentar as primeiras doses da vacina pediátrica contra a covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, concedeu uma entrevista em que defendeu a necessidade de ampliar a cobertura da segunda dose dos imunizantes, em meio ao que ele considerou uma terceira onda da doença provocada pela variante Ômicron, mas voltou a dizer que os pais não serão obrigados a vacinar seus filhos.

Em ofício encaminhado ontem ao ministério, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) pediu ao ministro que reconheça a existência de terceira onda da covid-19 no País e, a partir disso, adote um conjunto de medidas propostas pelos Estados para debelar previamente uma eventual crise no sistema de saúde público. Ao ser questionado pelos jornalistas, Queiroga afirmou: “Não há dúvida que temos um aumento de casos. Pode ser considerado, sim, uma terceira onda em função da Ômicron”.

Em resposta ao avanço da nova variante nas cinco regiões do Brasil, o ministro apontou como resposta para lidar com a crise a ampliação da segunda dose nos Estados, assim como a adoção da política de autotestagem. A pasta da Saúde formulou nesta quinta uma nota técnica encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com pedido de liberação do autoteste no País, o que é proibido atualmente.

“A campanha de vacinação do Brasil é bem sucedida. Primeiro, (atribuo) à cultura vacinal da população; segundo à política do governo federal de não obrigar os brasileiros a tomar vacina, ninguém gosta de fazer as coisas obrigado. A liberdade é um pressuposto fundamental para o sucesso da nossa campanha de vacinação, e assim será. É assim que venceremos a pandemia”, completou em defesa do discurso do presidente Jair Bolsonaro de não tornar obrigatória a vacinação.

Queiroga ainda esclareceu que a implementação da política de autotestagem proposta pelo Ministério da Saúde será feita na rede privada, a partir das redes de farmácias que poderão adquirir os testes com o governo e vendê-los à população. “O objetivo é ampliar o acesso ao diagnóstico e é isso que nós queremos, por outro lado, em laboratórios e hospitais, há uma carência de testes em nível mundial. O Ministério da Saúde tem distribuído testes rápidos para os Estados e municípios”, disse Queiroga.

Segundo o ministro, o governo está preparado para reagir aos efeitos de um novo surto da doença no País. Ele cita, por exemplo, o fortalecimento do complexo industrial brasileiro durante a pandemia como um exemplo da capacidade de contenção do novo coronavírus. Queiroga relembrou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) passará a desenvolver nacionalmente o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), que permite produzir em solo brasileiro a vacina contra a covid-19.

“Se tivermos uma pressão sobre o sistema de saúde, da monta que tivemos em março e abril de 2021, o sistema estará muito mais preparado. Acompanhando o que tem acontecido em países que tem uma campanha de vacinação forte e um nível de população vacinada como o nosso, é possível ter-se a esperança de que não vamos ter tantos casos que requeiram hospitalização”, garantiu.

Ao ser questionado sobre a vacinação infantil, que terá início nesta sexta-feira, 14, com a chegada das primeiras doses do imunizante pediátrico ao Brasil nesta quinta, Queiroga voltou a defender a não obrigatoriedade de vacinar as crianças, mesmo diante da volta às aulas presencial. “O que nós queremos é que os pais decidam o que é melhor para os filhos. Nós não vamos obrigar os pais a vacinar os filhos. O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra covid-19 decorre de uma situação de emergência sanitária”, afirmou.

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