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Saúde

Fungo resistente se espalha por hospitais nos EUA e acende alerta global

Trata-se da Candida auris (C. auris), um patógeno que já se espalha rapidamente por hospitais dos EUA.

Um fungo mortal e altamente resistente a medicamentos está se tornando uma ameaça crescente à saúde pública em todo o mundo. Trata-se da Candida auris (C. auris), um patógeno que já se espalha rapidamente por hospitais dos Estados Unidos e de outros países, segundo aponta uma nova revisão científica publicada no início de dezembro. Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores indicam que há esperança com o desenvolvimento de novos tratamentos. As informações são da Fox News.

Fungo resistente e de rápida disseminação

Frequentemente descrita como um “fungo superbactéria”, a Candida auris vem demonstrando uma capacidade crescente de resistir tanto aos medicamentos antifúngicos quanto ao próprio sistema imunológico humano. A revisão foi conduzida por pesquisadores do Hackensack Meridian Center for Discovery and Innovation (CDI), em parceria com especialistas da Universidade de Delhi e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), e publicada na revista Microbiology and Molecular Biology Reviews.

As conclusões reforçam alertas anteriores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que classificou o C. auris como uma “ameaça antimicrobiana urgente” — a primeira vez que um fungo recebeu essa designação. Os casos têm aumentado principalmente em hospitais e instituições de cuidados prolongados.

Dificuldade de diagnóstico e tratamento limitado

De acordo com os cientistas, um dos grandes desafios no combate ao fungo é o atraso no diagnóstico e a limitação das opções terapêuticas. O C. auris é frequentemente confundido com outros fungos, o que retarda o início do tratamento e dificulta o controle da infecção dentro dos hospitais.

Os pesquisadores defendem a necessidade urgente de desenvolver novos agentes antifúngicos de amplo espectro, além de melhorar os testes de diagnóstico e investir em terapias baseadas na imunidade e em vacinas, especialmente para pacientes de alto risco. Eles também destacam a importância de ampliar a vigilância epidemiológica, sobretudo em países com menos recursos.

Risco elevado para pacientes graves

Identificado pela primeira vez em 2009, a partir de uma amostra do ouvido de um paciente no Japão, o C. auris já foi detectado em dezenas de países. Nos Estados Unidos, surtos do fungo chegaram a provocar o fechamento temporário de unidades de terapia intensiva, segundo os pesquisadores.

O maior risco é para pessoas que já estão gravemente doentes, como pacientes em uso de ventiladores mecânicos ou com o sistema imunológico enfraquecido. Estimativas indicam que cerca de metade dos pacientes infectados pode morrer. Diferentemente de outros fungos, o C. auris consegue sobreviver na pele humana e aderir a superfícies hospitalares e equipamentos médicos, o que facilita sua disseminação.

Possível “calcanhar de Aquiles” do fungo

Apesar do avanço da ameaça, estudos recentes trazem sinais de esperança. Em uma pesquisa separada publicada em dezembro na revista Nature Communications Biology, cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, identificaram uma possível vulnerabilidade do fungo. Durante a infecção, o C. auris ativa genes específicos para capturar ferro, um nutriente essencial para sua sobrevivência.

Segundo os pesquisadores, bloquear esse mecanismo pode interromper a infecção ou até permitir o reaproveitamento de medicamentos já existentes. “Acreditamos que nossa pesquisa pode ter revelado um calcanhar de Aquiles neste patógeno letal”, afirmou o professor Hugh Gifford, coautor do estudo.

Alerta sem pânico

Especialistas reforçam que a Candida auris não representa uma ameaça para pessoas saudáveis. No entanto, autoridades de saúde destacam que o controle rigoroso de infecções, a detecção rápida e o investimento contínuo em novas terapias são fundamentais para conter a disseminação do fungo e reduzir o impacto entre pacientes vulneráveis.

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