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Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
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Açúcar: a cocaína legal que você dá ao seu filho todos os dias

Quando consumimos açúcar, ocorre uma liberação intensa de dopamina no sistema de recompensa cerebral.

Durante décadas, o açúcar foi tratado como algo inocente. Um simples ingrediente da sobremesa. Mas a ciência moderna mostrou que essa substância tem um poder biológico profundo sobre o cérebro e o corpo — em alguns aspectos, comparável ao de drogas altamente viciantes como a cocaína.

O açúcar ativa o mesmo sistema cerebral que drogas viciantes.

Foto: DivulgaçãoDemóstenes Ribeiro
Demóstenes Ribeiro

Quando consumimos açúcar, ocorre uma liberação intensa de dopamina no sistema de recompensa cerebral, especialmente no núcleo accumbens, a mesma área ativada por cocaína, nicotina e álcool.

Estudos com animais mostraram que ratos expostos ao açúcar apresentam:

comportamento de compulsão alimentar

sintomas semelhantes à abstinência

aumento da busca obsessiva pela substância

Ou seja, o açúcar pode induzir padrões neuroquímicos semelhantes ao vício.

O açúcar é socialmente aceito, barato e disponível 24h por dia

A cocaína é ilegal, cara e de difícil acesso. O açúcar, ao contrário, está em praticamente todos os alimentos industrializados — muitas vezes escondido sob nomes técnicos como:

xarope de glicose, frutose, maltodextrina, sacarose e dextrose.

Essa disponibilidade constante faz com que bilhões de pessoas consumam açúcar em excesso diariamente, sem perceber.

Em termos populacionais, o impacto do açúcar é infinitamente maior que o de qualquer droga ilícita.

A indústria alimentícia explora esse mecanismo deliberadamente.

A ciência dos alimentos ultraprocessados é baseada em criar produtos hiperpalatáveis, combinando açúcar, gordura e sal para estimular o cérebro e aumentar o consumo.

Há documentos históricos mostrando que a indústria do açúcar financiou pesquisas para minimizar seus riscos e culpar a gordura pelas doenças cardíacas — uma estratégia semelhante à usada pela indústria do tabaco no passado.

Logo, se a cocaína fosse vendida em supermercados, misturada em alimentos e oferecida para crianças desde a infância, o impacto social seria devastador.

Isso é exatamente o que fazemos com o açúcar.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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