As chamadas “academias ao ar livre” se espalharam por praticamente todas as cidades do Brasil nas últimas duas décadas. A idéia parece excelente: colocar equipamentos em praças públicas para estimular a população a praticar atividade física. No papel, parece uma política de saúde pública inteligente. Mas, na prática, a pergunta que precisa ser feita é simples: esses equipamentos realmente melhoram a saúde da população?
Quando analisamos sob o ponto de vista da fisiologia do exercício, a resposta é que não servem para nada.
Para melhorar a capacidade aeróbica, o corpo precisa de estímulos que aumentem de forma significativa a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio, como caminhada acelerada, corrida, ciclismo ou outros exercícios contínuos. Os aparelhos das academias ao ar livre, na maioria das vezes, produzem movimentos leves, sem intensidade suficiente para gerar adaptações cardiovasculares relevantes.
O mesmo acontece com o fortalecimento muscular. Para que os músculos fiquem mais fortes, é necessário aplicar o chamado princípio da sobrecarga, aumentando gradualmente a resistência ou o peso contra o qual o músculo trabalha. Os equipamentos das academias ao ar livre normalmente utilizam apenas o peso do próprio corpo e, em muitos casos, nem isso. O resultado são movimentos muito leves, que raramente provocam estímulo suficiente para gerar ganho real de força.
Na prática, esses equipamentos acabam funcionando mais como brinquedos para adultos do que como instrumentos eficazes de treinamento físico.
Outro problema é que muitos desses aparelhos passam grande parte do tempo subutilizados ou até abandonados, enferrujando nas praças e parques. Em várias cidades, basta uma rápida visita a esses espaços para perceber que poucos realmente utilizam os equipamentos de forma regular.
Enquanto isso, milhões de reais de recursos públicos são investidos na compra e instalação dessas estruturas.
Isso levanta uma reflexão importante: será que esse dinheiro não poderia ser aplicado de forma muito mais eficiente? Por exemplo, contratando Profissionais de Educação Física para orientar atividades nas praças, organizando grupos de caminhada, programas de treinamento funcional ou projetos permanentes de promoção da saúde.
Por isso, mais importante do que instalar equipamentos é criar programas bem estruturados de atividade física, com orientação profissional e estímulos adequados para realmente melhorar a saúde das pessoas.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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