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Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
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Faculdades lucraram bilhões com a divisão da Educação Física; entenda

De um lado a licenciatura, voltada para a escola; do outro o Bacharelado, direcionado para academias.

Durante décadas, o curso de Educação Física formava um único profissional, preparado para atuar em diferentes áreas: escola, clubes, academias, treinamento esportivo, lazer e promoção da saúde. A formação era ampla, integrando conhecimentos pedagógicos, fisiológicos, biomecânicos e esportivos. O profissional saía da universidade com uma visão completa do movimento humano.

Mas em 2005, com mudanças nas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), surgiu a separação formal: de um lado a Licenciatura, voltada para a escola; do outro o Bacharelado, direcionado para academias, clubes e outras áreas fora do ambiente escolar.

Foto: Demóstenes RibeiroDemóstenes Ribeiro
Demóstenes Ribeiro

Oficialmente, a justificativa foi especializar a formação. Porém, na prática, muitos profissionais começaram a perceber outro fenômeno acontecendo. A divisão abriu um novo e enorme mercado para as instituições privadas de ensino superior.

Faculdades passaram a oferecer dois cursos distintos, com duas grades curriculares, dois processos de matrícula e, principalmente, duas fontes de receita. Muitos profissionais que já estavam formados passaram a ser pressionados a fazer complementação de curso, pagando novamente por disciplinas muito semelhantes às que já haviam cursado.

Além disso, a divisão trouxe outro efeito preocupante: a fragmentação da categoria profissional. Onde antes havia uma classe unificada, surgiu uma separação interna. Profissionais passaram a discutir entre si quem pode ou não pode atuar em determinadas áreas, criando conflitos que antes simplesmente não existiam.

Uma profissão que deveria estar unida para ganhar reconhecimento social, valorização salarial e maior espaço na saúde pública, acabou se dividindo em duas.

Hoje, muitos profissionais defendem que a Educação Física acabou enfraquecida institucionalmente, com menos poder de mobilização e mais disputas internas. Enquanto isso, o mercado educacional seguiu crescendo, vendendo novas graduações, complementações e especializações.

Por isso, a pergunta continua no ar: A divisão da Educação Física realmente melhorou a profissão… ou apenas transformou a formação profissional em um negócio ainda mais lucrativo para o sistema educacional?

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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