Hoje, muitas academias de bairros e do interior enfrentam enorme dificuldade para contratar profissionais registrados. Não por falta de interesse em trabalhar, mas por escassez real de mão de obra disponível nessas regiões. Muitos profissionais se concentram nas grandes cidades, onde existem mais oportunidades, melhores salários e maior oferta de estrutura de trabalho.
Além disso, cresce a percepção entre muitos proprietários e profissionais de que os CREFs têm adotado uma postura extremamente rigorosa na fiscalização, em alguns casos a ponto de inviabilizar o funcionamento de academias pequenas. Exigências rígidas, multas elevadas e pouca flexibilidade diante da realidade do interior acabam criando um cenário em que manter uma academia aberta se torna cada vez mais difícil.
Outro ponto frequentemente levantado por profissionais do setor é o fato de que os CREFs arrecadam milhões de reais por ano com anuidades e taxas, mas muitos não percebem melhorias concretas no fortalecimento da profissão, na valorização dos profissionais ou em ações que facilitem a atuação em regiões com escassez de mão de obra. Essa sensação de cobrança intensa sem retorno proporcional aumenta o descontentamento dentro da categoria.
Se as exigências continuarem rígidas sem considerar a realidade do interior, o que veremos não será melhoria na qualidade dos serviços, mas sim o desaparecimento dessas academias locais. E quando uma academia de bairro fecha, não é apenas um negócio que desaparece — é uma porta de acesso à saúde que se fecha para dezenas ou até centenas de pessoas.
Nas cidades menores, a academia muitas vezes é o único espaço acessível para a prática regular de exercícios físicos. Sem ela, a população tende a se tornar mais sedentária, aumentando o risco de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade. Ou seja, o impacto não é apenas econômico, mas também direto na saúde pública.
Portanto, é preciso encontrar equilíbrio. Regulamentar é importante, garantir qualidade é necessário, mas também é fundamental enxergar a realidade do interior e dos bairros mais afastados. Sem políticas que facilitem a formação e a fixação de profissionais nessas regiões — e sem uma fiscalização que considere as limitações locais — a tendência é clara: menos academias, menos acesso à atividade física e mais problemas de saúde no futuro.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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