Enquanto instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região discutem a exigência de desfibriladores em academias e clubes, talvez a pergunta mais importante seja outra: quem está combatendo de verdade o maior inimigo da saúde pública atual, o sedentarismo?
O sedentarismo mata silenciosamente. Ele aumenta drasticamente o risco de infarto, AVC, diabetes, obesidade, depressão, câncer e diversas outras doenças crônicas. O problema não está apenas em uma eventual emergência dentro de uma academia. O verdadeiro drama acontece fora delas: milhões de pessoas completamente paradas, sem qualquer prática regular de atividade física.
Criar exigências excessivas pode acabar gerando um efeito contrário ao desejado. Pequenas academias, projetos sociais, centros esportivos e clubes podem enfrentar dificuldades financeiras para cumprir determinadas obrigações, reduzindo justamente os espaços que ajudam a população a se movimentar. E quanto menos locais acessíveis para atividade física existirem, maior tende a ser o avanço do sedentarismo.
É claro que segurança é importante. Ter profissionais qualificados, protocolos de emergência e equipamentos adequados é positivo. Mas a prioridade número um de qualquer política de saúde deveria ser incentivar as pessoas a sair do sofá, caminhar, treinar, praticar esportes e abandonar uma rotina sedentária.
A grande epidemia moderna não é a falta de desfibriladores. É a falta de movimento.
Uma população fisicamente ativa adoece menos, usa menos medicamentos, sobrecarrega menos hospitais e vive com mais autonomia e qualidade de vida. O Ceará precisa de campanhas massivas de incentivo à atividade física, ocupação dos espaços públicos, apoio ao esporte e facilitação do acesso da população às academias — e não apenas de mais barreiras burocráticas.
Combater o sedentarismo deveria ser tratado como prioridade absoluta de saúde pública. Porque, no fim das contas, o coração mais seguro é aquele que se exercita regularmente.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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