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Colunista Demóstenes Ribeiro
Educador físico. Sua coluna aborda temas voltados à saúde muscular.
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Instituições do Ceará estão indo na contramão da saúde pública

A grande epidemia moderna não é a falta de desfibriladores. É a falta de movimento.

Enquanto instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região discutem a exigência de desfibriladores em academias e clubes, talvez a pergunta mais importante seja outra: quem está combatendo de verdade o maior inimigo da saúde pública atual, o sedentarismo?

O sedentarismo mata silenciosamente. Ele aumenta drasticamente o risco de infarto, AVC, diabetes, obesidade, depressão, câncer e diversas outras doenças crônicas. O problema não está apenas em uma eventual emergência dentro de uma academia. O verdadeiro drama acontece fora delas: milhões de pessoas completamente paradas, sem qualquer prática regular de atividade física.

Foto: DivulgaçãoInstituições do Ceará estão indo na contramão da saúde pública
Instituições do Ceará estão indo na contramão da saúde pública

Criar exigências excessivas pode acabar gerando um efeito contrário ao desejado. Pequenas academias, projetos sociais, centros esportivos e clubes podem enfrentar dificuldades financeiras para cumprir determinadas obrigações, reduzindo justamente os espaços que ajudam a população a se movimentar. E quanto menos locais acessíveis para atividade física existirem, maior tende a ser o avanço do sedentarismo.

É claro que segurança é importante. Ter profissionais qualificados, protocolos de emergência e equipamentos adequados é positivo. Mas a prioridade número um de qualquer política de saúde deveria ser incentivar as pessoas a sair do sofá, caminhar, treinar, praticar esportes e abandonar uma rotina sedentária.

A grande epidemia moderna não é a falta de desfibriladores. É a falta de movimento.

Uma população fisicamente ativa adoece menos, usa menos medicamentos, sobrecarrega menos hospitais e vive com mais autonomia e qualidade de vida. O Ceará precisa de campanhas massivas de incentivo à atividade física, ocupação dos espaços públicos, apoio ao esporte e facilitação do acesso da população às academias — e não apenas de mais barreiras burocráticas.

Combater o sedentarismo deveria ser tratado como prioridade absoluta de saúde pública. Porque, no fim das contas, o coração mais seguro é aquele que se exercita regularmente.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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