As pesquisas mais recentes do Ideia Instituto de Pesquisa em parceria com o Meio trazem um dado que muda completamente a leitura da eleição de 2026 presidencial: apenas cerca de quinze vírgula cinco por cento do eleitorado se declara indeciso, branco ou nulo.
Para este estágio do calendário eleitoral, isso é baixíssimo.
Historicamente, esse grupo costuma superar facilmente vinte por cento. Desta vez, não. O país já chega dividido, com preferências formadas cedo. Isso transforma a campanha em um jogo de precisão, não de volume.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem nos cenários de segundo turno com empate técnico.
Não há favorito consolidado.
Mais relevante do que quem está numericamente à frente é compreender o ambiente político. A avaliação do governo é frágil, a desaprovação supera a aprovação e a maioria afirma que Lula não merece continuar. Ao mesmo tempo, essa insatisfação ainda não se organizou totalmente em torno de um projeto alternativo.
Surge daí um vazio político.
E é exatamente nesse espaço que vivem os quinze vírgula cinco por cento de indecisos.
Esse grupo não é ideológico duro. Não é militância. É formado majoritariamente por eleitores pragmáticos, cansados de promessas, sensíveis ao custo de vida, preocupados com emprego, impostos, serviços públicos e futuro dos filhos. São pessoas que não respondem bem a slogans, mas reagem a propostas concretas, exemplos reais e coerência.
Tecnicamente, conquistar esse eleitor exige três coisas.
Primeiro, clareza de projeto. O indeciso não quer discurso genérico. Quer saber o que muda na vida dele.
Segundo, credibilidade. Não basta prometer. É preciso mostrar capacidade de executar.
Terceiro, presença territorial. Esse voto se ganha mais em conversa direta, olho no olho, do que em publicidade.
Com tão poucos indecisos, não existe mais espaço para campanhas baseadas em marketing vazio ou viralização artificial. Likes não convertem voto. Narrativa sem base não sustenta campanha.
Estamos diante de uma eleição de base.
Quem conseguir mobilizar seus apoiadores, ocupar território, apresentar propostas objetivas e dialogar com esse eleitor pragmático terá vantagem real. Quem apostar apenas em polarização emocional ou estética de rede social vai ficar pelo caminho.
Lula ainda está vivo eleitoralmente. Flávio Bolsonaro também. Mas nenhum dos dois carrega hoje a segurança de uma vitória automática.
O recado das pesquisas é simples.
O eleitor já decidiu em grande parte. O espaço que resta é pequeno, mas decisivo. E ele será ocupado por quem fizer política de verdade.
Porque dois mil e vinte e seis não será decidido por discurso bonito.
Será decidido por organização, projeto e capacidade de transformar intenção em voto.
José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário.
E-mail: [email protected]
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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