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Colunista José Trabulo Júnior
José Trabulo Júnior.
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Efeito manada na política

E tem outro detalhe importante: muita gente que pensa diferente fica calada porque acha que é minoria.

Efeito manada na política é quando a pessoa vota porque acha que todo mundo já decidiu. Não é porque estudou proposta, nem porque comparou candidatos. É porque sente que aquele lado tá ganhando  aí vai junto.

É tipo fila grande em porta de loja: você nem sabe o que tem dentro, mas entra porque viu gente entrando.

Isso não é coisa da sua cabeça. Já tem estudo antigo mostrando isso. Gustave Le Bon dizia que, quando a gente entra no meio da multidão, para de pensar sozinho e começa a agir pela emoção do grupo. Depois, Solomon Asch fez testes e provou que muita gente concorda com o grupo mesmo sabendo que o grupo está errado, só pra não ficar isolada. Ou seja: não é convicção. É medo de ficar sozinho.

Mais tarde, pesquisadores como Daniel Kahneman e Amos Tversky explicaram que nosso cérebro gosta de caminho curto. Se vê muita gente apoiando alguém, já pensa: “deve ser o melhor”. É o famoso “se todo mundo tá indo, vou também”.

Na eleição funciona igual.

Sai pesquisa. Mostra comício cheio. Influenciador declara voto. Vídeo aparece toda hora no seu celular. Aí você começa a pensar: “rapaz, isso já virou”. E muita gente muda o voto só pra ficar do lado que acha que vai ganhar.

Tem até um nome pra isso: voto estratégico.

E tem outro detalhe importante: muita gente que pensa diferente fica calada porque acha que é minoria. Aí só um lado aparece. Parece que todo mundo concorda. Isso foi estudado por Elisabeth Noelle-Neumann. Quanto mais um lado aparece, mais forte ele parece. Quanto mais forte parece, mais gente entra. É um efeito bola de neve.

Campanha sabe disso.

Por isso solta pesquisa na hora certa. Mostra evento lotado. Repete mensagem em tudo que é canto. Usa gente famosa pra declarar apoio. Não é só pra informar. É pra criar sensação de vitória.

Campanhas grandes pelo mundo já usaram isso muito bem, como a de Barack Obama, que transformou engajamento em vitrine e apoio em espetáculo.

Hoje, com rede social, isso fica ainda mais forte. O que tem muita curtida aparece mais. O que aparece mais parece maioria. Aí vira ciclo: quanto mais aparece, mais gente acredita; quanto mais gente acredita, mais aparece.

O efeito manada não ganha eleição sozinho, mas ajuda demais, principalmente quando a disputa tá apertada. Ele puxa indeciso, puxa voto útil e muda comportamento de muita gente que só quer ficar do lado vencedor.

Resumindo na linguagem da rua: muita gente vota no que parece estar ganhando.

José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário.

E-mail: [email protected]

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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