A ciência já mostrou que o movimento moderado e o descanso são os principais nutrientes da sua coluna. Entenda como este ciclo funciona e o que acontece quando ele falha. Uma estrutura diferente de tudo no seu corpo.
Quando a maioria das pessoas pensa na coluna, imagina ossos e músculos. Mas existe uma estrutura discreta que fica entre cada vértebra, trabalha sem parar e é quase sempre ignorada até causar dor: o disco intervertebral.
Diferente dos músculos, dos ossos e de quase todos os outros tecidos do corpo, o disco intervertebral praticamente não tem vasos sanguíneos. Isso significa que ele não recebe nutrientes pelo sangue, como o músculo recebe, por exemplo. Ele sobrevive de outro jeito. E entender esse jeito pode mudar a forma como você cuida da sua coluna.
Como o disco se alimenta: o mecanismo de bombeamento
O movimento físico moderado gera pressões na coluna que funcionam como uma bomba. Essas pressões transportam fluidos e nutrientes essenciais para dentro do disco, através das placas de cartilagem que ficam nas bordas da estrutura.
É um processo contínuo, que acontece toda vez que você caminha, se movimenta ou muda de posição. Sem que você perceba, seu corpo está alimentando a coluna.
O ciclo tem duas etapas. Na primeira, o movimento gera variações de pressão que empurram líquidos ricos em nutrientes para dentro do disco. Na segunda, durante o repouso, quando a coluna fica livre da compressão constante da gravidade, o disco reabsorve água e, junto com ela, puxa os nutrientes para o seu interior. Os pesquisadores chamam isso de flutuações diurnas de hidratação. Movimento mais descanso é igual a disco nutrido.
Os três sinais de um disco saudável
Quando esse ciclo funciona bem, o disco apresenta três características que os pesquisadores usam como marcadores de saúde:
● Hidratação preservada: o disco mantém água no seu interior, o que garante elasticidade e capacidade de absorver impactos.
● Altura mantida: um disco bem nutrido não perde volume, o que protege o espaço entre as vértebras e os nervos que passam por ali.
● Ausência de tecido fibroso: quando o disco é nutrido adequadamente, o corpo não precisa substituir o tecido saudável por fibrose.
O que acontece quando esse ciclo falha
Sem movimento regular, o transporte de fluidos é comprometido. O disco perde água, diminui de altura e o tecido começa a se deteriorar.
A ciência já mostrou que esse processo não é simplesmente resultado do envelhecimento inevitável. Ele acontece, em grande parte, por falta de estímulo. Ou seja: a coluna que não se move, envelhece mais rápido. O movimento não é inimigo do disco. É o contrário.
Durante muitos anos, o pensamento comum era de que movimentar a coluna com dor ou com alguma lesão seria perigoso. A ciência atual mostra uma perspectiva diferente.
Para a maioria dos casos, o movimento moderado é o principal mecanismo de nutrição e preservação da saúde discal. A questão não é se mover ou não. A questão é como e quanto.
Movimento moderado não é risco. Para a maioria dos casos, é remédio.
Hábitos que ajudam o seu disco todos os dias
● Evite ficar parado por longos períodos: levantar e se movimentar por alguns minutos a cada hora de trabalho sentado já ativa o mecanismo de bombeamento.
● Caminhe: mesmo caminhadas leves e curtas estimulam a variação de pressão que nutre o disco.
● Durma bem: o descanso é a fase em que o disco reabsorve água e nutrientes. Privação de sono compromete esse ciclo.
● Varie as posições ao longo do dia: o disco se nutre melhor com alternância de carga do que com uma posição fixa, mesmo que aparentemente correta.
● Procure um fisioterapeuta se tiver dor: o profissional vai avaliar seu caso individualmente e indicar o tipo e a intensidade de movimento mais adequados para você.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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