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Colunista Marcelle Furtado
Fisioterapeuta. Sua coluna tem foco na “Saúde em Movimento” e aborda cuidados, prevenção e bem-estar físico.
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Fisioterapia: Por que você deveria ter mais medo do repouso do que do movimento?

Quando evitamos nos mover por medo, fenômeno conhecido como cinesiofobia, entramos em um ciclo perigoso.

Muitos pacientes que convivem com a dor crônica carregam um receio instintivo: o medo de que o movimento possa "quebrar" algo ou agravar uma lesão. No entanto, a ciência moderna da dor é categórica: a imobilidade prolongada é um dos principais combustíveis para a persistência do quadro doloroso.

O ciclo vicioso da dor e a armadilha do repouso

Quando evitamos nos mover por medo, fenômeno conhecido como cinesiofobia, entramos em um ciclo perigoso. A imobilidade prolongada é um dos principais fatores que perpetuam a dor crônica.

Descondicionamento físico: O corpo, privado de estímulos, perde força muscular, flexibilidade e densidade óssea.

Hipersensibilidade: O sistema nervoso torna-se ainda mais sensível, interpretando qualquer estímulo mecânico como uma ameaça.

Impacto emocional: A falta de movimento piora o sono e aumenta sintomas de ansiedade e depressão.

Fisioterapia: o pilar inegociável

Na jornada do paciente com dor crônica, a fisioterapia não é um "extra" ou um "coadjuvante"; ela é uma parte inegociável do tratamento. Mesmo quando os efeitos sobre a intensidade da dor são leves a moderados, o impacto funcional é significativo.

Os benefícios comprovados pela ciência atual incluem:

Modulação neuroquímica: O exercício libera endorfinas e dopamina, os analgésicos naturais do corpo.

Restauração da função: Melhora a mobilidade e a capacidade de realizar tarefas diárias, como subir escadas ou brincar com os filhos.

Interrupção do ciclo: O movimento interrompe o ciclo de descondicionamento físico e restaura a confiança no próprio corpo.

"Mas eu já fiz fisioterapia e não funcionou..."

Esta é uma frase comum nos consultórios. É frequente que o paciente já tenha tentado a reabilitação sem sucesso, mas isso não invalida a ferramenta, e sim a estratégia utilizada na época.

Foto: ReproduçãoPor que a fisioterapia pode ter  "falhado"?
Por que a fisioterapia pode ter "falhado"?

O caminho para a recuperação

Não existe um "exercício perfeito" único. O mais importante é que ele seja adaptado, progressivo e seguro. O segredo está em respeitar os limites atuais do paciente, sem nunca parar de desafiá-los gentilmente com acompanhamento profissional.

O sucesso de qualquer intervenção médica na dor crônica depende, quase inteiramente, do alinhamento com uma reabilitação física de qualidade. Se você se sente travado pelo medo, entenda que a fisioterapia moderna busca muito mais do que o alívio momentâneo: ela busca devolver sua autonomia.

O movimento cura, o repouso estagna.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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