A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou, nesse sábado (15), que o governo brasileiro deve tratar com mais urgência as negociações com os Estados Unidos para eliminar a tarifa extra de 40%, que continua impedindo a competitividade de diversos itens nacionais.
De acordo com a entidade, a recente mudança anunciada pela Casa Branca dá brechas para novas rodadas de diálogo, mas ainda deixa o país em desvantagem em relação a concorrentes que já vendem ao mercado estadunidense sem essa taxa. A decisão do presidente Donald Trump, que retirou a taxa de 10% aplicada em 2 de abril, reacendeu o debate interno. A medida passou a valer a partir de quinta-feira (13), com efeito retroativo. Essa revisão reduziu o peso sobre 238 produtos agrícolas ofertados por diversos países, entre eles o Brasil. Desse conjunto de itens, 80 fazem parte da pauta de exportações brasileiras.
A Confederação afirma que a continuação dessa tarifa limita o desempenho em um mercado estratégico para a indústria nacional. A entidade também reforça que, sem mudanças imediatas, os países concorrentes têm chance de consolidar posições nos setores agrícola e industrial.
Após a redução anunciada, apenas quatro itens — três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará — foram completamente liberados das taxas. Os itens restantes, que incluem café, carne bovina e frutas, continuam submetidos à tarifa de 40%. No ano de 2024, esse grupo de produtos foi responsável por movimentar cerca de US$ 4,6 bilhões e representou 11% das exportações brasileiras aos Estados Unidos.
As tratativas entre Brasília e Washington avançaram após o encontro entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. O passo mais recente foi nesta quinta-feira (13), em Washington, quando o ministro Mauro Vieira entregou uma proposta formal ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a mudança anunciada pela Casa Branca reforça a urgência de um acordo mais abrangente. Ele avalia que o Brasil só terá condições de competir no mercado quando a tarifa adicional for completamente removida. “É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores”, afirma o presidente.
Tandryanny Santos
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