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Marcinho Quaquá contraria PT e diz que megaoperação no Rio de Janeiro "só matou bandido"

A declaração aconteceu em um seminário do partido sobre segurança pública no Rio de Janeiro.

O vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, afirmou nesta terça-feira (02) que a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro no Rio de Janeiro, “só matou otário”. A declaração aconteceu em um seminário do partido sobre segurança pública na capital fluminense.

“Ou a gente entra nesses territórios para mudar a prática e a vida do território e libertar a vida do povo. Se a gente não faz isso, ninguém o fará. É óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: ‘Tem trabalhador aí?’. Não. Tudo bandido”, afirmou Washington Quaquá.

Foto: Renato Araújo/Câmara dos DeputadosWashington Quaquá, vice-presidente do PT
Washington Quaquá, vice-presidente do PT

Ele é conhecido por emitir opiniões que divergem do posicionamento do partido, e comumente recebe críticas internas por essa conduta. Após a fala dele no seminário, a plateia gritou que o vice-presidente nacional do PT mentia, e ele respondeu: “Você vai ouvir eu falar ou vai ficar berrando? Então, era tudo bandido. Eu ouço bobagens à vontade. Espero que na democracia se ouça as bobagens dos outros. Eu ouço a de vocês, valeu? E depois querem dizer que são de esquerda e democráticos, mas só ouvem a própria opinião”.

Anteriormente, o prefeito de Maricá já tinha se manifestado a favor da operação. Em uma entrevista a jornalistas, ele disse que a ação policial “foi malsucedida não é pelo número de mortos”, mas por não ter ocupado a região. “O Complexo da Penha tem mais de 1000 soldados do tráfico. Então, se fosse para matar, tinha que matar 1000 soldados”, declarou o vice-presidente da sigla.

Um levantamento da Operação Contenção registrou a morte de 122 pessoas, 113 prisões e mais de 100 armas apreendidas na incursão policial feita nas comunidades do Rio de Janeiro. Entre os mortos estão cinco policiais.

Essa ação, no entanto, foi classificada pela esquerda como “massacre”, e ensejou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) movida pelo PSOL e outros movimentos, em que o ministro Alexandre de Moraes pede explicações em relação à letalidade policial.

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