A ONG Unisol, vinculada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e liderada por integrantes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), recebeu do Ministério do Trabalho um repasse de R$ 15,8 milhões para atuar na retirada de resíduos sólidos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O valor foi pago integralmente antes do início das ações no local.
A escolha da Unisol gerou críticas devido à falta de transparência no processo de seleção da entidade e aos critérios técnicos considerados frágeis por especialistas. Além disso, o repasse antecipado, feito em parcela única, levantou questionamentos por parte de parlamentares da oposição e de órgãos de controle.
A Unisol, embora tenha recebido o recurso no fim de 2023, ainda não iniciou as operações em campo. A justificativa do governo federal para o pagamento adiantado foi a urgência na resposta à crise sanitária enfrentada pelos povos Yanomami, que vêm sofrendo com os impactos da contaminação por mercúrio, da desnutrição e do abandono assistencial.
Outro ponto que chama a atenção é a infraestrutura da entidade. A ONG funciona em uma pequena sala no subsolo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o mesmo onde o presidente Lula permaneceu antes de se entregar à Polícia Federal, em 2018.
Caroline Vitorino
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