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Em entrevista nos EUA, Lula diz que comportamento de Trump em relação ao Brasil é “inaceitável”

O presidente classificou como “absurdo” o tarifamento imposto por Washington em julho, contra o Brasil.

Durante sua viagem oficial a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu uma entrevista à emissora americana PBS, na qual abordou a relação conturbada entre Brasília e Washington. O mandatário brasileiro criticou duramente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reiterou que o país norte-americano precisa demonstrar disposição real para negociar com o Brasil.

Lula afirmou que as decisões do governo brasileiro não são tomadas “com raiva”, e destacou que está aberto ao diálogo quando houver reciprocidade por parte dos Estados Unidos. O presidente classificou como “absurdo” o tarifamento imposto por Washington em julho, ressaltando que medidas unilaterais prejudicam a relação bilateral.

Foto: Ricardo Stuckert/PRLuiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente brasileiro também considerou “inaceitável” a conduta de Trump, especialmente após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado recentemente a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo Lula, a postura do republicano demonstra falta de responsabilidade para um líder de um país de grande poder global. “É inaceitável que o presidente Trump tenha esse tipo de comportamento com o Brasil devido ao julgamento de um ex-presidente. Nenhum país do mundo pode interferir na nossa democracia ou na nossa soberania.”

Na entrevista, Lula também comentou ações recentes dos Estados Unidos, como a sanção à advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a revogação de vistos de autoridades brasileiras, incluindo juízes aliados de Moraes, interpretadas como medidas que refletem a tensão diplomática entre os dois países.

Além das relações internacionais, o presidente brasileiro abordou questões internas. Ele mencionou os protestos de esquerda contra a PEC da anistia, que poderia perdoar pessoas envolvidas nos 8 de janeiro, destacando a importância de proteger a democracia conquistada após o governo Bolsonaro. “Sofremos para nos livrar de Bolsonaro, não queremos mais ditaduras”, afirmou, sem descartar a possibilidade de concorrer à reeleição em 2026.

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