O Governo Lula prepara uma reestruturação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), após pressão para que apresente respostas mais duras no enfrentamento ao crime organizado e aos crimes financeiros.
A iniciativa ocorre após diversos episódios em 2025 que expuseram fragilidades no sistema de prevenção à lavagem de dinheiro, o que deu início a um debate sobre segurança financeira.
Em análise no governo, a proposta prevê a criação de mais de 60 cargos comissionados e a instalação de subunidades regionais de inteligência financeira. O plano foi formalizado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que encaminhou ao Ministério da Gestão um projeto de decreto presidencial.
O argumento é que o Coaf passou a operar sob forte pressão diante do crescimento das transações digitais, sem que sua estrutura tenha acompanhado essa evolução.
O Coaf recebe mais de 7,5 milhões de comunicações por ano. Segundo Galípolo, o quadro reduzido de servidores efetivos e a alta rotatividade de funcionários cedidos de outros órgãos comprometem a capacidade analítica do órgão e dificultam a formação de equipes técnicas especializadas. Com a reestruturação, o número de cargos comissionados passaria dos atuais 75 para mais de 140.
O movimento ocorre em paralelo ao endurecimento de regras pelo próprio Banco Central, após ataques cibernéticos e investigações que apontaram a infiltração de facções criminosas.
Rauena Pinheiro
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