O Brasil e os Estados Unidos se abstiveram nesta terça-feira (24) na votação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre uma resolução que trata do apoio a uma paz duradoura na Ucrânia. O texto foi aprovado por 107 votos favoráveis, 12 contrários e 51 abstenções. Apesar de não ter caráter juridicamente vinculante, a medida possui peso político no âmbito internacional.
Intitulada “Apoio a uma paz duradoura na Ucrânia”, a proposta foi apresentada pela Ucrânia e contou com o apoio de mais de 45 países. O texto pede cessar-fogo imediato, completo e incondicional no conflito iniciado em 2022, após a invasão promovida pela Rússia.
A resolução também reafirma o compromisso com a soberania e integridade territorial ucraniana, além de solicitar a troca de prisioneiros de guerra e o retorno de civis deportados à força, incluindo crianças. A votação ocorreu em sessão especial de emergência, convocada após impasse no Conselho de Segurança, onde Moscou tem poder de veto e votou contra o texto.
O debate marcou a entrada da guerra no quarto ano e discutiu os impactos humanitários e econômicos do conflito. Segundo dados apresentados na ONU, os custos de reconstrução da Ucrânia estão estimados em US$ 588 bilhões ao longo da próxima década, valor equivalente a cerca de três vezes o Produto Interno Bruto do país no último ano.
A abstenção brasileira gerou críticas no Senado. Os senadores Hamilton Mourão, Damares Alves, Flávio Arns e Sérgio Moro classificaram a decisão como equivocada durante sessão da Frente Parlamentar Brasil–Ucrânia.
Damares afirmou que a posição do governo não reflete a vontade da sociedade brasileira, enquanto Mourão declarou sentir “vergonha” da postura adotada. Já Moro defendeu que o Brasil deveria assumir posição clara a favor de uma paz justa para o povo ucraniano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi cobrado por representantes da comunidade ucraniana no Brasil, que pedem maior alinhamento do país aos esforços internacionais.
Izabella Furtado
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