O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) colheu, na última quinta (5), um novo depoimento da jovem de 18 anos que acusa o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, de importunação sexual. Em vídeo encaminhado ao órgão, ela descreveu detalhes de um suposto comportamento inadequado ocorrido durante as férias de janeiro, em uma praia de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.
A oitiva foi conduzida por uma juíza assessora e contou com a participação remota do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a jovem apresentou um relato detalhado do episódio, reiterando pontos já registrados anteriormente no processo.
Marco Buzzi, de 68 anos, está afastado de suas funções no tribunal por razões médicas. Nessa quinta-feira (5), ele foi internado no hospital DF Star, em Brasília, após relatar sintomas como palpitações e dores no peito, conforme informou a unidade hospitalar.
De acordo com a equipe do ministro, o quadro de saúde se agravou na noite de quarta-feira (4), quando ele teria sofrido um “forte mal-estar”, coincidindo com a confirmação, pelo CNJ, da abertura da investigação. A licença médica concedida inicialmente é de dez dias, podendo ser estendida conforme avaliação clínica.
Em nota, a assessoria informou que, ao longo dos últimos cinco anos, Buzzi passou por diversos procedimentos cardíacos, entre eles a colocação de cinco stents e a implantação de um marca-passo.
Segundo o comunicado, o estado de saúde do ministro demanda cuidados médicos intensificados, especialmente em contextos de elevada tensão emocional.
Na noite de quarta-feira (4), o Superior Tribunal de Justiça decidiu por unanimidade instaurar uma sindicância para apurar a denúncia de importunação sexual. O procedimento administrativo deve ser concluído em até 30 dias e pode resultar em aposentadoria compulsória, considerada a penalidade mais grave aplicada a magistrados.
Em manifestação oficial, Marco Buzzi afirmou ter sido surpreendido pelas insinuações divulgadas por um site, sustentando que elas não correspondem à realidade dos fatos. Ele também declarou rejeitar qualquer acusação de conduta imprópria.
A denunciante é filha de amigos do ministro, e sua mãe atua como advogada. À época do suposto episódio, a família estava hospedada na residência de praia de Buzzi, local onde o fato teria ocorrido.
Na terça-feira (2), um dia antes de o caso se tornar público, o ministro participou normalmente da sessão da Quarta Turma do STJ, ao lado dos magistrados Raul Araújo, Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e João Otávio de Noronha.
Leandro Soares
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