Para conter o risco de uma paralisação nacional dos caminhoneiros, o Palácio do Planalto passou a adotar uma estratégia mais rígida em relação ao setor empresarial. Nesta quarta-feira (18), o ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou que o Governo Federal vai implantar um sistema eletrônico de rastreamento para fiscalizar contratos de transporte de cargas em todo o país.
De acordo com estimativas da equipe ministerial, cerca de 20% das transportadoras não cumprem as normas atuais relacionadas à remuneração dos motoristas. Já o ministro Rui Costa apontou publicamente grandes empresas como responsáveis por irregularidades, citando BRF, Vibra Energia, Ambev, Raízen e Cargill. Segundo o governo, uma relação completa das empresas reincidentes será divulgada assim que o novo sistema conseguir identificar falhas nos registros oficiais.
Essa iniciativa atende diretamente à pressão de lideranças dos caminhoneiros, que já alertaram para a possibilidade de greve caso não haja respostas concretas até o fim da semana. A intenção do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é reforçar o cumprimento da tabela do frete e evitar um cenário de desabastecimento semelhante ao de 2018.
Paralelamente, o Ministério da Fazenda levou o debate ao Conselho Nacional de Política Fazendária, tentando convencer os estados a reduzirem temporariamente o ICMS sobre o diesel. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de governadores, que temem perdas na arrecadação.
Enquanto as negociações avançam lentamente, caminhoneiros já sentem o impacto direto no bolso. Em São Paulo, por exemplo, o preço do litro do diesel subiu até 40 centavos em apenas uma semana, elevando em até R$ 1.000 o custo para encher o tanque de um caminhão.
Esse aumento acaba sendo repassado ao frete, criando um efeito em cadeia que encarece produtos ao consumidor final. Diante desse cenário, a Polícia Federal passou a investigar possíveis abusos econômicos, enquanto o Ministério dos Transportes aposta na transparência total das transações para coibir práticas irregulares e tentar estabilizar o transporte rodoviário no país.
Leandro Soares
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