Nesta quarta-feira (25), foi divulgado pelo jornal britânico Financial Times que a Rússia estaria enviando drones ao Irã para apoiar o país no conflito contra Estados Unidos e Israel. Caso confirmada, essa seria a primeira colaboração direta de Moscou com o regime iraniano em ações letais desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A publicação cita como fontes dois representantes de governos ocidentais que tiveram acesso a relatórios de inteligência. Segundo a reportagem, o envio dos equipamentos passou a ser discutido entre as lideranças dos dois países logo após o início do conflito.
Ainda de acordo com o jornal, as remessas começaram no início de março e devem continuar até o fim do mês. Antes disso, já havia relatos de que Moscou vinha auxiliando Teerã com imagens de satélite, informações sobre alvos militares e suporte de inteligência.
Conhecido por sua produção de drones de baixo custo, o Irã já teria lançado mais de 3 mil desses equipamentos desde o começo da guerra. No entanto, especialistas ouvidos pela publicação indicam que o interesse iraniano está na obtenção de modelos mais avançados.
Segundo Antonio Giustozzi, pesquisador sênior do Royal United Services Institute, o objetivo não é aumentar a quantidade, mas sim melhorar a tecnologia empregada. Isso porque a Rússia desenvolveu drones de ataque com base em projetos iranianos utilizados na guerra da Ucrânia desde 2023, adaptando-os para superar sistemas de defesa aérea e transportar cargas mais pesadas.
Publicamente, o governo russo afirma enviar apenas ajuda humanitária ao Irã. Ao ser questionado sobre a possível remessa de drones, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, evitou confirmar a informação e declarou que há muitas notícias falsas em circulação, ressaltando apenas a continuidade do diálogo entre Moscou e a liderança iraniana.
Leandro Soares
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