A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro solicitou que a Polícia Federal apresente provas concretas da existência do grupo chamado “A Turma”, apontado pelos investigadores como o núcleo responsável por monitorar e pressionar adversários a pedido do empresário.
Na quarta-feira (04), Vorcaro foi preso preventivamente, acusado de comandar uma espécie de “milícia privada” que se autodenominava “A Turma”. A existência do grupo teria sido identificada pelos investigadores após a interceptação de mensagens no celular do banqueiro.
Em nota encaminhada ao portal Metrópoles, os advogados informaram que pediram ao Supremo Tribunal Federal que determine à PF a apresentação de “informações objetivas que embasaram o pedido de prisão”. Entre os pontos solicitados está a comprovação de que o suposto grupo de mensagens “A Turma” realmente existia e se Vorcaro participava dele.
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o cumprimento do mandado de prisão preventiva ocorreu sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos que fundamentaram a medida”, afirma a nota.
Operação
Por decisão do ministro do STF André Mendonça, Vorcaro permanece preso preventivamente. A nova detenção ocorreu após a Polícia Federal afirmar ter localizado, no celular do empresário, mensagens que indicariam a atuação de uma espécie de estrutura privada voltada à intimidação de adversários.
De acordo com conteúdos analisados pelos investigadores, o banqueiro teria orientado integrantes do núcleo a acompanhar jornalistas e opositores. Em uma das conversas interceptadas, inclusive, ele teria sugerido uma agressão contra um crítico.
Ainda segundo a PF, colaboradores do empresário seriam utilizados para levantar informações pessoais, vigiar adversários e intimidar pessoas que contrariassem seus interesses. Esses dados estariam presentes em materiais extraídos durante operações anteriores.
Diante da situação, os advogados reiteraram que a prisão preventiva foi executada sem que a defesa tivesse acesso prévio às provas que justificaram a medida. Por esse motivo, solicitaram ao STF que determine à Polícia Federal a apresentação detalhada dos elementos utilizados na investigação.
Entre as informações requeridas pela defesa estão:
- As datas das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro citadas na investigação;
- A comprovação da existência do suposto grupo de mensagens chamado “A Turma” e se o empresário integrava esse grupo;
- Os registros das datas das supostas invasões a sistemas de órgãos públicos e remoções de conteúdo em plataformas digitais;
- Documentos e datas que confirmariam pagamentos mencionados na representação policial;
- Além da identificação do documento, número de conta e evidências que sustentariam a afirmação de bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai do empresário.
Por fim, a defesa afirma que Daniel Vorcaro sempre se manteve à disposição das autoridades e continua colaborando com as investigações. Segundo os advogados, o acesso integral aos elementos do processo permitirá o esclarecimento adequado dos fatos, com garantia do contraditório e do direito à ampla defesa.
Leandro Soares
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