Pelo menos 70% dos venezuelanos refugiados que vivem no Brasil não pensam em retornar ao país de origem neste momento. Em contrapartida, cerca de 30% avaliam a possibilidade de voltar, desde que encontrem um cenário mais favorável e, dentro desse grupo, apenas 5% cogitam voltar nos próximos 12 meses. Os dados fazem parte de uma pesquisa recente da Agência da ONU para Refugiados, divulgada na última terça-feira (14).
O levantamento também indica que somente um terço dos venezuelanos que vivem fora do país manifesta intenção de retorno. Entre aqueles que consideram essa hipótese, o principal motivo apontado é o reencontro com familiares. Para a maioria, no entanto, permanecer nos países de acolhimento ainda parece a melhor alternativa. Fatores como maior sensação de segurança, acesso ao mercado de trabalho e melhores serviços básicos pesam nessa decisão.
Outro ponto relevante destacado pelos entrevistados é a falta de informações confiáveis sobre a situação atual da Venezuela. Quase 60% afirmam que essa incerteza dificulta qualquer planejamento de retorno, somada ao receio sobre possíveis impactos no status legal nos países onde estão vivendo. A pesquisa ouviu 1.288 venezuelanos residentes no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala e Peru, entre janeiro e março de 2026.
Segundo o ACNUR, dados de novembro de 2025 apontam que cerca de 6,9 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos estavam acolhidos em países da América Latina e do Caribe.
No Brasil, o Censo 2022 registra a presença de aproximadamente 271,5 mil venezuelanos, formando o maior grupo de estrangeiros no país. Eles também lideram o número de refugiados reconhecidos em território brasileiro. Mais de 568 mil venezuelanos entraram no Brasil entre 2015 e junho de 2024, fugindo da crise econômica e social enfrentada no país vizinho.
Leandro Soares
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